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Museu francês derruba mitos sobre a Batalha de Agincourt, influenciados pelas obras de Shakespeare

Pesquisas apontam que os ingleses não estavam em tão menor número do que se pensava anteriormente

Fabio Previdelli Publicado em 30/08/2019, às 13h05

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Crédito: Reprodução

Por 600 anos, a Batalha de Agincourt tem sido vista como um dos maiores triunfos da Inglaterra sobre os franceses. Mas essa vitória pode ter sido supervalorizada nas obras de William Shakespeare, que fizeram que a verdade sobre o embate tivesse se distorcido nos livros de história, apresentando uma versão mais inflada dos fatos.

O que foi a batalha de Agincourt ?
Durante a Guerra dos Cem Anos, Henrique V acabara de ser coroado Rei da Inglaterra e logo iniciou seu plano de invasão à França, em agosto de 1415. Inicialmente, a tomada teve um momento de intempérie quando milhares de soldados morreram de disenteria no cerco de Harfleur. Ainda assim, o rei permaneceu relutante em dar a vitória aos franceses e abrir mãos de suas terras.

Com cerca de 9 mil combatentes  a sua disposição - 6 mil arqueiros, 1.5 mil soldados e 2 mil homens de cavalaria – ele partiu rumo ao embate contra mais de 30 mil guerreiros franceses. Suas estratégias de guerra o permitiram sair vitorioso do enfrentamento e marcas seu nome pra sempre na história.

Henrique V acabara de ser coroado Rei da Inglaterra e logo iniciou seu plano de invasão à França, em agosto de 1415 / Crédito: Reprodução

 

Mas como essa controvérsia surgiu?
Durante a reforma de um museu sobre o confronto – localizado perto do campo de batalha da Vila de Agincourt – os números dos combatentes foram modificados, seguindo as pesquisas da professora Anne Curry da Universidade de Southampton. O levantamento aponta que os ingleses tinham 8.5 mil homens contra 12.5 mil franceses. Números significantemente menores.

"Os dois exércitos eram essencialmente profissionais, soldados pagos, então temos muitos registros financeiros - podemos descobrir o tamanho dos exércitos e até os nomes de muitos deles", explica Anne.

Ela diz que suas descobertas são respeitadas pelos historiadores medievais, mas impopulares para alguns fãs inglês da história de Agincourt. A professora acha que isso pode ser parcialmente explicado pela maneira que o confronto é visto na Inglaterra em termos patrióticos e que os mitos permanecem porque muitas pessoas afirmam serem descendentes de guerreiros que lutaram lá.

Batalha de Agincourt / Crédito: Reprodução


Agora, tanto o museu quanto a pesquisadora estão em missão para amenizar a história valorizada por Shakespeare e tentar retratar o que eles afirmam ser uma versão mais fiel e precisa dos eventos.