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Plataforma digital mostra a importância do comércio de escravos para o desenvolvimento de Liverpool

Ferramenta traz a digitalização de um navio negreiro e um mapa do tráfico no Atlântico

André Nogueira Publicado em 05/03/2020, às 08h00 - Atualizado às 08h54

Navio Negreiro
Navio Negreiro - Getty Images

Projetos do conselho de Liverpool, na Inglaterra, vêm trazendo luz ao nível de influência do tráfico de escravos no Atlântico no desenvolvimento da cidade, onde mais de 1,3 milhões de homens foram comercializados ou transportados da África. Um banco de dados com as mais de 36 mil viagens de navio da época ajuda na demonstração desse fenômeno, expondo as 5 mil embarcações que saíram daquele porto , trazendo lucro aos comerciantes locais.

Ao mesmo tempo, desde o início desse ano, impera uma lei na cidade que contextualiza nas placas de ruas o nome de importantes comerciantes de escravos com fama local. Já nos meios digitais, uma equipe criou um Timelapse do fluxo do tráfico no atlântico (o Slave Voyages, que, porém, ao contabilizar apenas dados oficiais, perde um importante fluxo clandestino que alimentou, por exemplo, o Brasil entre 1850 e 1888). A plataforma elucida o aumento do contrabando de homens africanos com a presença dos britânicos no século 17.

Interior digitalizado do navio / Crédito: Divulgação/Slave Voyages

 

Pelos dados divulgados com as novas ferramentas, é possível afirmar que, dentro do conjunto contabilizado do tráfico, Liverpool possui um protagonismo em 46% desse comércio no século 18. Porém, os dados frios divulgados não contemplam toda a experiência da travessia atlântica, que envolveu muito sofrimento humano. Então, abriu-se espaço para a criação de um modelo em 3D de um navio negreiro (o francês L’Aurore), que aproxima o público da realidade histórica.

Outro valor inestimável dessa reconstituição em vídeo é a possibilidade do espectador de compreender a razão do sucesso do tráfico de escravos, que conseguiu conter as formas de reação a essas atrocidades. Longe de haver passividade por parte dos escravizados, momentos do vídeo mostram como revoltas internas dos barcos eram duramente reprimidas. Mesmo o barco digitalizado ter sido um exemplar francês, ele possui as mesmas estruturas necessárias para compreender a travessia a partir de Liverpool.