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Coco Chanel: agente nazista?

A famosa estilista possuía um lado sombrio pouco conhecido

quinta 10 janeiro, 2019
Coco Chanel, 1936
Coco Chanel, 1936 Foto:Getty Images

O mundo conhece Gabrielle Chanel como “Coco”, uma das maiores estilistas da história. Ela foi a precursora do minimalismo e elegância nas roupas e acessórios, além de reinventar a moda feminina. Porém, seu passado não se refere apenas ao mundo da moda - ela também colaborou com a inteligência nazista entre os anos de 1940 e 1944, quando a Alemanha ocupou a França durante a Segunda Guerra Mundial.

A história de Coco com os nazistas começou quando seu sobrinho, Andre Palasse, filho de sua irmã mais velha, se tornou prisioneiro de guerra dos nazistas. Após o suicídio da irmã, Coco passou a tratá-lo como filho e a fazer de tudo para libertá-lo dos campos nazistas. Para isso, concordou em ser a mediadora entre os alemães e seus importantes contatos, que incluíam o então homem mais rico da Europa e ex-amante dela, duque de Westminster, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill.

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Sua principal função como agente era fornecer seus contatos pessoais ao regime. Era identificada pelo número F-7124 pelo Abwehr - o serviço de inteligência alemão. Uma das missões em que atuou como mediadora foi a operação Modelhut (em alemão: chapéu da moda), uma frustrada tentativa de um tratado de paz entre Hitler e Churchill.

Coco Chanel Getty Images

Desenvolveu um longo romance com o barão Hans Günter Dincklage, que atuava como espião do sérvio secreto alemão, quem manteve Chanel vivendo no luxuoso hotel Ritz, em Paris, onde teve como vizinhos de quarto diversas autoridades nazistas, chegando até a conhecer o chefe da Abwehr, o general Walter Schellenberg.

Após a libertação da França pelos aliados, em 1944, Coco foi algumas vezes obrigada a comparecer à Justiça para explicar suas relações com os alemães, sempre negando seu envolvimento com a inteligência nazista. A partir de 1945, Chanel começou a comprar o silêncio daqueles que tinham conhecimento de suas relações com a Abwehr. Durante algum tempo ela continuou enviando dinheiro a Dincklage, como uma forma de ajudar o amante exilado.

Em entrevista ao jornal Estadão, o jornalista e autor do livro Dormindo com o Inimigo, Hal Vaughan conta: “Ela não acreditava em nada. Só na moda. Ela não se importava. Ela morou por quatro anos no Ritz, cercada de oficiais nazistas, em condições muito confortáveis em uma das piores épocas já vividas pela França. Tinha seu amante, e por um momento, ela acreditou que Hitler venceria a guerra”.

Alana Sousa


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