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A “prostituta do campo” de Auschwitz: realidade ou farsa?

Uma das fotos mais célebres do holocausto não convence a historiadores

Fábio Marton Publicado em 08/05/2019, às 16h00

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Crédito: Reprodução / Paul Goldman

Lê-se no peito da vítima judia de Auschwitz, fotografada em Israel em 1945: Feld-Hure (“prostituta do campo”, sendo bastante educado). A foto, tirada pelo húngaro-israelense Paul Goldman (1900-1986) entrou na memória popular, particularmente dos israelenses, para quem a prostituição forçada é popularmente vista como parte dos horrores impostos pelo nazismo

Entretanto, alguns detalhes não batem com a história dos prostíbulos em campos de extermínio, particularmente o de Auschwitz.

Não havia judias em prostíbulos oficiais. Basta lembrar que o contato sexual com judeus era a razão por que vários alemães e alemãs estavam ali.  Não que seja impossível que uma judia tenha sido forçada à prostituição clandestinamente. Mas não, até onde se sabe, no Bloco 24 de Auschwitz, como Goldman afirmou. 

E quem diz isso não é a gente, mas a historiadora israelense Na’ama Shik, do Instituto para Educação do Holocausto do Yad Vashem, a autoridade oficial de Israel sobre assuntos do Holocausto.

Em sua pesquisa de mestrado, em 2007, ela levantou o que reproduzimos na capa: não havia prostitutas judias em Auschwitz. E também, pelo número, ela não poderia ter sido tatuada no peito, mas nos pulsos. 

Em artigo para o Haaretz, em 2007, o historiador Tom Segetz tentou esclarecer o mistério. Ele levantou a possibilidade de a foto ter sido criada para servir de capa para o livro Casa de Bonecas, do sobrevivente Yehiel De-Nur.

No livro, ele descreve uma prostituta judia em Auschwitz, dizendo ter sido sua irmã. Na’ma Shik também comentou sobre o livro de De-Nur: chamou-o de “ficção pornográfica”. E afirmou também que o autor não tinha irmã.