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Marian Rejewski: Seria o matemático polonês o verdadeiro responsável por desvendar a máquina nazista Enigma?

Nascido na Polônia, em 1905, o matemático trabalhou por quase uma década na criptografia da Enigma

Alana Sousa Publicado em 11/03/2019, às 17h00

Marian Rejewski
Reprodução

Graças à criptografia da máquina Enigma, as mensagens nazistas coletadas pelos aliados permaneceram por muito tempo completamente inelegíveis. Todos na época acreditavam que o código secreto da Enigma era indecifrável.

O que muitos acreditam é que Alan Turing foi o primeiro a decifrar o código durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, após o fim da Primeira Guerra, inteligência polonesa passou a interceptar e a decifrar, em segredo, as mensagens militares alemãs. O matemático polonês Marian Rejewski foi o líder da equipe que trabalhou para desvendar a criptografia da Enigma durante a década de 1930.

Para desvendar os mistérios da máquina Rejewski utilizou de muita matemática, e um pouco de sorte.

Ao conseguir comprar documentos ultrassecretos do Ministério da Guerra em Berlim, a inteligência da Polônia encaminhou-os para o matemático, que conseguiu construir uma cópia da Enigma a partir dos mecanismos da equipamento.

O mecanismo era avançado, possuindo uma letra criptografada para cada letra do alfabeto presente no teclado do aparelho. Era preciso adivinhar as três aberturas através de uma combinação chave.

A equipe descobriu que havia 105.456 combinações possíveis, e elas eram mudadas todos os dias. Eles então catalogaram cada conjunto de letras e testaram um por um. O matemático trabalhava sozinho algumas horas por dia na decodificação.

Rejewski logo percebeu um padrão matemático; ele só precisava de algo que pudesse rastrear e então a criptografia seria desfeita. Porém, seu trabalho foi dificultado quando os alemães aperfeiçoaram a Enigma antes do início da Segunda Guerra. A nova atualização feita pelos nazistas elevou o número de combinações para a chave acima de 1 milhão.

Em 1939, a Alemanha invadiu a Polônia, Rejewski e seus colegas tiveram que fugir do país. Eles entregaram tudo que sabiam à inteligência francesa e britânica, em busca de ajuda para terminar a tarefa. A partir daí, coube a Alan Turing e sua equipe no Bletchley Park, da inteligência britânica, decifrar o código Enigma. Algo que foi substancialmente facilitado pela assistência polonesa.

A criptografia hoje

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, anunciou esta semana que pretende estabelecer um Facebook “’mais focado em privacidade”. O pronunciamento é uma tentativa de reconquistar a confiança dos usuários. A aposta em comunicações mais protegidas por criptografia tira do Facebook a responsabilidade por policiar o conteúdo que circula pelas suas redes.

As vantagens da criptografia são diversas. A privacidade do usuário da rede social é garantida, mas seria esse o melhor modo de prevenir que conteúdos falsos circulem como já acontece com a outra plataforma midiática de Zuckerberg, o WhatsApp?