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Torturador argentino que deu aula na Sorbonne volta ao seu país para ser julgado

Mario Sandoval, conhecido como “carniceiro” durante a ditadura argentina, vivia em Paris desde 1980

Joseane Pereira Publicado em 17/12/2019, às 09h00

Mulher tenta impedir a detenção de um jovem pela polícia durante a ditadura militar Argentina  (1976-1983)
Mulher tenta impedir a detenção de um jovem pela polícia durante a ditadura militar Argentina (1976-1983) - Getty Images

Nesta segunda-feira (16), o ex-policial argentino Mario Sandoval chegou a Buenos Aires para ser julgado pelo desaparecimento do estudante Hernán Abriata durante a ditadura militar (1976-1983). Sandoval também teria participado de cerca de 500 assassinatos, torturas e sequestros, exilando-se na França após a queda da Junta Militar e obtendo nacionalidade francesa em 1997.

Detido em sua casa em Nogent-sur-Marne, ao leste de Paris, o ex-torturador disse à imprensa que não era quem estavam procurando. “O  processo de extradição de Mario Sandoval é o resultado de um trabalho conjunto da Justiça Federal e do Ministério Público e dos árduos esforços diplomáticos realizados em diferentes áreas do Ministério das Relações Exteriores e da Embaixada desde 2012”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores argentino em comunicado.

Enquanto vivia na capital francesa, o ex-policial trabalhou como professor na Universidade de Sorbonne e chegou a ser conselheiro do ex-presidente Nicolas Sarkozy. Em 30 de dezembro de 1976, ele teria participado do sequestro do estudante de arquitetura Hernán Abriata, então com 24 anos, levado para a Escola de Mecânica da Armada (ESMA) — centro de tortura onde mais de 5 mil cidadãos desapareceram.