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"Estou morrendo, não consigo respirar", afirmou uma das vítimas encontradas mortas em caminhão no Reino Unido

Pham Thi Tra My, desaparecida desde o dia 23 de outubro, teria mandado mensagens para sua mãe em seus últimos momentos

Victória Gearini Publicado em 25/10/2019, às 15h52

Jovem desparecida Pham Thi Tra My, 26 anos
Jovem desparecida Pham Thi Tra My, 26 anos - Imagem fornecida pela família de Pham Thi Tra My

Na última quarta-feira, 23, 39 corpos foram encontrados na traseira de um caminhão, em Essex, na Inglaterra. Seis famílias temem que seus parentes estejam entre as vítimas. Entre elas uma mulher vietnamita que teria trocado mensagens com a sua mãe, pouco antes de falecer.  

Inicialmente as autoridades britânicas afirmaram que foram encontrados corpos de 31 homens e oito mulheres, e afirmaram ainda que em sua maioria, as vítimas seriam de descendência chinesa e ao menos seis seriam vietnamitas.

A família de Pham Thi Tra My, 26, afirmou que pagaram aos contrabandistas £ 30.000 para viajar do Vietnã para o Reino Unido. Em entrevista à BBC, o irmão da suposta vítima, Pham Ngoc Tuan disse que Tra My pediu para não entrarem em contato, porque os contrabandistas não permitiam ligações.

Pham Ngoc Tuan também espera que as autoridades britânicas investiguem o caso, para que o seu cadáver seja devolvido para a família. "Minha irmã desapareceu no dia 23 de outubro, no caminho do Vietnã para o Reino Unido, e não conseguimos contatá-la. Estamos preocupados que ela possa estar naquele trailer”, disse.

A família compartilhou as últimas mensagens enviadas pela jovem: "Sinto muito, mamãe e papai, minha viagem a uma terra estrangeira falhou. Estou morrendo, não consigo respirar. Amo muito você, mamãe e papai. Sinto muito, mãe", disse Pham Thi Tra My.

Em uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, 25, a vice-chefe de polícia, Pippa Mills informou que as autoridades estão trabalhando em conjunto com a Agência Nacional de Crimes, o Ministério do Interior, o Ministério de Relações Exteriores e da Commonwealth, a Força de Fronteira e a Imigração.

A responsável pela investigação disse ainda que não se basearia em detalhes sobre as nacionalidades das vítimas e pediu para as pessoas não especularem suas identidades. "Demos uma orientação inicial na quinta-feira sobre a nacionalidade, no entanto, este é agora um quadro em desenvolvimento", disse ela.