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Curiosidades / Claudia Raia

Claudia Raia foi perseguida por apoiar Collor em 1989

Em entrevista recente, a atriz Claudia Raia prometeu nunca mais fazer campanha para político

Redação Publicado em 31/07/2022, às 10h59

Montagem mostrando Claudia Raia e fotografia de Collor ao fundo - Divulgação/ Youtube/ Persona e Divulgação/ Domínio Público
Montagem mostrando Claudia Raia e fotografia de Collor ao fundo - Divulgação/ Youtube/ Persona e Divulgação/ Domínio Público

Claudia Raia é um dos grandes nomes da televisão brasileira, já tendo participado de inúmeras novelas durante sua carreira. Hoje, aos 55 anos, a talentosa atriz trabalha em uma biografia que recontará sua trajetória de vida, e, para promover o livro, deu recentemente uma entrevista à jornalista Joyce Pascowitch

O fato já não é mais tão lembrado pelos brasileiros de hoje, mas, na verdade, a atriz teve sua escalada para a fama a partir do ramo da dança.

Filha de uma professora de balé clássico, aos 17 anos Claudia já era uma talentosa bailarina mais de uma década de prática, e se apresentou tanto no Brasil quanto no exterior. Sua entrada no ramo da atuação ocorreu por acaso, após sua participação em um musical ser assistida porJorge Dória, um ator de novela que a indicou para diretores. 

Raia já participou em mais de 30 produções televisivas desde então, e também teve inúmeras experiências no teatro, tanto no palco como nos bastidores, cumprindo a função de produtora. 

Claudia Raia e marido, Jarbas Homem de Mello, em 2018 / Crédito: Getty Images

Já durante a conversa com Parcowitch, que ocorreu em uma live nas redes sociais no último mês de junho, a atriz relembrou não apenas os pontos altos de sua vida pública, mas também aqueles que preferia que não houvessem acontecido, como seu apoio ao ex-presidente Fernando Collor

Arrependimento 

Em 1989, Claudia Raia, então aos 23 anos, decidiu declarar publicamente seu apoio ao candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que estava concorrendo à presidência do país. Seu mais forte adversário era Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. 

A campanha política feita pela atriz na época se tornaria um arrependimento amargo devido às consequências negativas que se seguiram. E não simplesmente pelo fato que Collor, apesar de ter vencido as eleições, acabou tomando medidas muito impopulares e recebendo um impeachment depois de apenas dois anos no cargo, mas devido ao assédio midiático que sofreu. "Foi um caos na minha vida", descreveu ela na entrevista. 

Fotografia de Collor na presidência / Crédito: Domínio Público

Infelizmente, os posicionamentos políticos da estrela de novela acabaram atraindo a atenção de um secretário de saúde de São Paulo, que era contrário a Collor.

O homem, cujo nome não foi citado por Raia, insinuou que a jovem intérprete possuía HIV. A declaração teria como objetivo sugerir que ela era "amante" do político que estava apoiando, uma vez que Collor era alvo dessas mesmas insinuações infundadas relativas à doença. 

O mal-intencionado rumor iniciado por esse secretário paulista fez com que os veículos jornalísticos do período ganhassem um súbito interesse na vida de Claudia, a perseguindo pelos lugares e até mesmo fazendo plantão na frente de seu prédio. "A imprensa inteira veio para cima de mim", afirmou ela. 

O episódio foi tão ruim que levou a atriz a fazer uma promessa pessoal de nunca mais envolver-se na política daquela forma. 

“Foi um período muito difícil. Jurei para mim mesma que nunca mais faria campanha novamente para ninguém, nem se a minha mãe se candidatasse", concluiu Raia na live citada. 

Assista a conversa na íntegra abaixo: 

Em entrevista de 2021, a atriz também falou sobre o episódio. 

"Esse processo foi muito dolorido, e espero que isso nunca se repita", disse Claudia em conversa com o programa Oito em Ponto, da Rádio Cultura FM. "Eu só acho definitivamente que política e arte, não caminham juntas."

"Eu acreditei que o Fernando Collor era o cara que iria mudar o Brasil, eu e todo mundo, mas não foi assim", disse ela no ano passado. "E acho que hoje o Brasil vive uma divisão, e muitos lugares do mundo vivem também essa mesma divisão. E eu acho isso muito ruim, muito prejudicial. É a campanha do ódio."


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