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Na Idade Moderna, lobisomens foram caçados como bruxas

Durante o período, homens que se transformavam em lobos foram cruelmente perseguidos e executados

Thiago Lincolins Publicado em 09/09/2019, às 08h00

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- Getty Images

Em 1589, Peter Stumpp, um fazendeiro alemão, foi aprisionado sob a acusação de ser um sugador de sangue insaciável. E, conforme o tempo passava, as alegações
ficavam mais graves: o homem teria devorado animais. Ainda pior, Stumpp também
teria atacado homens, mulheres e crianças por mais de 25 anos.

Induzido, o fazendeiro confessou ter matado e cometido canibalismo contra 14 crianças
e duas mulheres grávidas. Também teria declarado que praticava magia negra desde
os 12 anos de idade — Satanás havia lhe dado um cinturão mágico que o transformava em um lobo ganancioso e devorador.

Em outubro do mesmo ano, Stumpp foi brutalmente executado. Posto na roda, teve sua carne arrancada do corpo em três lugares, com ferro em brasa, depois teve seus ossos quebrados, foi decapitado e atirado na fogueira.

Na transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, lobisomens foram caçados
como as bruxas. No entanto, a origem do homem em pele de lobo é antiga. Uma das
primeiras menções sobre licantropia aparece na mitologia grega, especificamente na
história de Licão, rei da Arcádia. Ao servir os órgãos de Nyctimus, seu próprio filho,
para Zeus, o monarca foi amaldiçoado e transformado em um lobo feroz.

O que se sabe sobre os possíveis ataques de lobisomens vem de relatos de cronistas e
estudiosos da Idade Média e Moderna. “Os primeiros registros do Ocidente referem-se
especificamente ao período entre os séculos 13 e 15, quando ocorreu uma espécie de surto epidêmico de licantropia na Europa.”

No folclore brasileiro, o mito levou a menos violência. De acordo com a lenda, quando
o sétimo filho homem nasce, ele se torna um lobisomem. Na primeira noite de terça
ou sexta-feira, após completar 13 anos, o garoto ganha as características do bicho, e
passa a visitar sete igrejas e sete encruzilhadas.

O hábito se torna rotina, mas ele volta à sua forma original ao amanhecer. Geralmente, não é uma figura muito violenta, açoitando os cachorros para os fazer uivar. Mas, às vezes, pode devorar crianças não batizadas. A cura é simples: não precisa bala de prata, só bater na sua cabeça.