Notícias » Brasil

11,5% dos brasileiros sofrem com insegurança alimentar, revela ONU

Segundo a Organização das Nações Unidas, 30% da população mundial não teve acesso à alimentação adequada em 2020. Para o Instituto Opy de Saúde, essa escassez afeta diretamente o desenvolvimento infantojuvenil.

Redação Publicado em 18/10/2021, às 10h40

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Pixabay

O Relatório Global de 2021 produzido por agências da Organização das Nações Unidas (ONU), responsável por avaliar o impacto global da pandemia, aponta que, em 2020, mais de 2,3 bilhões de pessoas (30% da população mundial) não tiveram acesso à alimentação saudável, sendo este um dos fatores mais importantes para a prevenção da obesidade infantil e doenças associadas.

Já o Relatório Luz 2021, sobre a Agenda 2030, realizado por 57 organizações não governamentais, entidades e fóruns da sociedade civil, aponta que o Brasil regrediu no cumprimento de políticas públicas de áreas como pobreza, segurança alimentar, saúde, educação e meio ambiente.

O documento revela que 9% da população brasileira passa fome, outros 11,5% sofrem com insegurança alimentar moderada e 34,7% insegurança leve. Deste percentual, apenas 44,8% dos brasileiros se alimentam bem.

A diretora-presidente do Instituto Opy de Saúde, Flavia Antunes Michaud, chama atenção para a forma de se produzir, acessar e consumir alimentos no país. "A pandemia de Covid-19 expôs - e continua expondo - a deficiência em nossos sistemas alimentares, ameaçando vidas e a saúde de gerações", explica Flavia.

Atrelado a escassez de alimentos, a má alimentação está presente de forma intensa, com crianças pagando um alto preço. Dados da ONU de 2020 estimam que mais de 149 milhões de menores de cinco anos sofreram de atraso de crescimento ou possuíam uma estatura muito baixa para sua idade; mais de 45 milhões - debilitadas ou muito magras para sua altura; e quase 39 milhões - acima do peso.

Três bilhões de adultos e crianças não conseguem acessar comidas saudáveis, em grande parte devido ao aumento da pobreza e a inabilidade de adquirir verduras, carne e laticínios, itens cujos preços seguem em ascensão.

"É um desafio duplo: cada vez mais gente passa fome e cada vez mais pessoas, especialmente os mais vulneráveis, comem as chamadas calorias vazias, que não possuem nenhum valor nutricional e são altas em gordura e açúcares. Isso aumenta a população de mal alimentados, de pessoas vivendo com obesidade e com sobrepeso. Vemos um sistema de saúde estrangulado por esses fatores. Neste mês, onde comemora-se o Dia Mundial da Alimentação, nunca foi tão importante falarmos da dupla carga da má nutrição, no Brasil e no mundo", destaca Flavia.