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Arqueólogos descobrem evidências humanas de habitação em grandes altitudes

Uma série de rastros surgiram no alto das Montanhas Bale, na Etiópia, um local rochoso a mais de 4 mil metros acima do nível do mar

Fabio Previdelli Publicado em 09/08/2019, às 16h00

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- Crédito: Reprodução

Viver no alto de grandes montanhas não é uma tarefa fácil. Os recursos são extremamente escassos, o clima pode ser muito extremo e os níveis de oxigênio pairam em níveis perigosamente baixos. Sendo assim, arqueólogos acreditavam que estes planaltos estariam nas últimas posições na lista entre os lugares ideais para se habitar. Mas um novo estudo sugere que esta afirmação pode estar errada.

Publicada pela revista Science, uma pesquisa detalha uma descoberta incrível no assentamento Fincha Habera, no alto das Montanhas Bale, na Etiópia, localizada a 4 mil metros acima do nível do mar. Lá, uma equipe de especialistas desenterraram uma série de artefatos — entre eles ferramentas de pedra, fragmentos de argila, ossos de animais queimados e pedaços de vidro — indicando que pessoas habitaram o local há cerca de 45 mil anos.

Durante décadas, os pesquisadores da região concentravam sua atenção em locais de baixa altitude. “Fomos simplesmente os primeiros a subirem mais alto”, disse Götz Ossendorf, principal autor do novo estudo. Chegando ao local, eles desenterraram rapidamente sinais da antiga ocupação humana. O crucial para a descoberta foram os restos de lareiras, que forneciam fragmentos de carvão que permitiu a datação da moradia. 

O assentamento provavelmente não era permanente, mas o pesquisador afirma que as pessoas pré-históricas “gastaram consideráveis quantidade de tempo no local”. A análise da equipe ainda mostra que, cerca de 10 mil anos atrás, um segundo grupo se mudou para o local, usando-o cada vez mais como um lar.

Apesar dos desafios da vida na altitude, a habitação pouco provável ocorreu durante o Último Máximo Glacial, quando parte das Montanhas Bale estava coberta de gelo — mas Fincha Habera estava localizada além da região gelada.

As geleiras derretidas ofereciam um amplo suprimento de água. A comida também existia em abundância, principalmente de ratos-toupeiras gigantes, que eram assados para as refeições.

Agora, os pesquisadores esperam retornar ao local para escavações adicionais. Eles gostariam de encontrar ossos de humanos — com DNA extraível — de moradores do local. A descoberta pode ajudar outros cientistas a aprenderem mais sobre como os antigos humanos se adaptaram a grandes altitudes e de como essas adaptações foram herdadas pelos povos das montanhas atuais.