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"Belle Epoque" da Amazônia: Por décadas as capitais do norte eram as mais desenvolvidas

Descubra como a borracha foi um produto essencial para transformar as grandes cidades da região grandes cidades estruturadas

André Nogueira Publicado em 22/03/2019, às 15h00

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- Reprodução

A região Norte do país já foi a região de maior desenvolvimento em termos de economia, infraestrutura e cultura no Brasil, em um relativamente curto período de alta prosperidade econômica causada pela borracha e produtos vegetais extraídos da floresta tropical.

Desde o século 18, são conhecidas no Brasil as "drogas do sertão", produtos encontrados na Amazônia que circulavam pelo território colonial e para o exterior. No século 19, a demanda por esses produtos incentivou uma migração massiva da população nordestina para o Norte, que consistia - ao lado da escravidão indígena - a principal mão de obra para a extração dos produtos vegetais da floresta, com ênfase no látex de seringueira, matéria prima fundamental da borracha. 

Seringal / Wikimedia Commons

Na época, a Europa passava pelo acelerado processo de Revolução Industrial, que fazia da borracha um produto altamente procurado. Para a produção de pneus, borrachas de apagar, mangotes e diversos outros produtos da indústria civil e bélica (afinal, esses países estavam se preparando para a guerra de impérios coloniais que acabou por estourar em 1914), os países europeus se tornam compradores da borracha brasileira, criando uma oportunidade de fartura para as elites da região e de fora.

Grandes companhias de extração possibilitam que o produto interno da economia amazonense cresça em disparado. No período entre 1879 e 1912, as capitais do Norte, principalmente Manaus, Porto Velho e Belém, capitanearam uma guinada para se tornarem referências nacionais em termos de construção de esgotos, transporte, eletricidades, atividades culturais como cinema e teatro, levando a construção de teatros e casas de concerto monumentais, requintadas pela tradição europeia que a burguesia urbana visava imitar. Por isso, esse período ficou conhecido como a “Belle Époque da Amazônia”.

Teatro Amazonas, em Manaus / Reprodução

O principal motivo pelo qual a Amazônia perdeu esse destaque econômico foi o contrabando de sementes da América do Sul para o Pacífico e Sudeste Europeu. A produção de seringueiras para a extração do látex bruto nas florestas tropicais nas colônias francesas, inglesas e americanas no Sudeste asiático e nos arquipélagos da região, em condições de produção mais barata, fez a borracha brasileira perder competitividade e destruiu o ciclo de prosperidade acelerado da Amazônia. Durante a Primeira Guerra Mundial e depois, a Belle Époque tropical morreu.

Houve, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o presidente Vargas articulava encaixar o Brasil numa posição de relevância na comunidade internacional, uma retomada econômica das capitais nortenhas, pois a exportação da borracha brasileira para a indústria bélica europeia teve uma rápida animada Depois deste período entre 1942 e 1945, o ciclo da Borracha deixou de prosperar a nível tão alto.