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O fim do tirano: Há 76 anos, o corpo de Mussolini era exposto em praça pública

Em 1945, o ditador foi linchado pelo povo italiano e seu cadáver foi pendurado em um posto de gasolina

Redação Publicado em 28/04/2021, às 00h00

O líder fascista Benito Mussolini
O líder fascista Benito Mussolini - Wikimedia Commons

O ditador Benito Mussolini teve um fim infame que pode não ter chegado nem perto do terror de suas ações ao longo de sua trajetória no governo da Itália. Em 28 de abril de 1945, há exatos 76 anos, o italiano foi linchado pelo povo para o qual governou, morto, e seu cadáver foi exposto em praça pública.

O fim veio após tornar-se um fugitivo em seu próprio país, a partir do avanço das tropas aliadas sobre a Itália desde 1943. Tentando escapar de seu final trágico, ele foi resgatado pelo exército nazista enquanto estava preso e logo foi levado ao norte do país. Lá, ele criou a República de Salò, uma tentativa de resistência que falhou. 

Mas não adiantou fugir: a situação na Europa estava ficando cada vez mais favorável para os Aliados, em um continente tomado pelas forças dos EUA, França, Inglaterra, Canadá, Brasil, África do Sul e colônias norte-africanas. Para Mussolini, o contexto se tornou insustentável. 

Foi quando o ditador decidiu abandonar a Itália. Além dos exércitos que estavam contra ele, somava-se ainda o povo italiano, que se revoltou contra o antigo líder após a derrota e pela situação na qual se encontravam. O italiano estava cercado por opositores, que somavam inclusive aqueles que um dia o apoiaram.

Para deixar a Itália, Mussolini se disfarçou para sair de Milão, partindo em um comboio de soldados alemães, ao lado da companheira Clara Petacci, em direção à fronteira com a Suíça. Mas a verdade é que ele não iria chegar muito longe. 

Mussolini e Clara fugiam para a Suíça quando foram capturados / Crédito: Wikimedia Commons

 

O comboio em que ele estava foi interceptado e Mussolini e Clara foram descobertos e presos por membros da resistência italiana (conhecidos como partigiani), em 27 de abril de 1945, próximo ao vilarejo de Dongo. 

"A 52ª Brigada Garibaldina me capturou hoje, sexta-feira, 27 de abril, na praça de Dongo. O tratamento durante e depois da captura foi correto. Mussolini", escreveu no último documento assinado por ele, um bilhete encontrado em maio de 2003.

Julgado sumariamente em praça pública, Mussolini foi fuzilado ao lado de Clara e dos homens que os escoltavam no dia seguinte, no vilarejo de Giulino di Mezzegra. Na madrugada do dia 29, seus corpos foram levados até Milão, onde permaneceram expostos ao público, amontoados em uma pilha, em um posto de gasolina da praça de Loreto.

Uma multidão chutou, baleou, cuspiu e urinou nos corpos, que depois foram pendurados de cabeça para baixo em uma viga de metal. Pendurados, os corpos passaram por horas de humilhação e profanação, como resposta dada pela população italiana (do Norte, no caso) ao legado de perseguições, assassinatos, derrotas e caos econômico de Mussolini.

As circunstâncias da morte de Mussolini foram investigadas por um tribunal do júri de Pádua, em maio de 1957, mas o processo não chegou a uma conclusão. Até hoje, não se sabe quem de fato disparou os tiros.

Entre os italianos, a versão "oficial" é de que Walter Audisio executou Mussolini, obedecendo uma ordem do Comando Geral da resistência. Alguns historiadores italianos acreditam que Michele Moretti, outro membro, teria dado os tiros. Outros, como Renzo De Felice, que escreveu a biografia de Mussolini, suspeitam de que a execução tenha sido tramada pelo serviço secreto britânico em conjunto com a resistência italiana.

Mas, até hoje, a imagem do duce pendurado morto e o povo gritando e xingando o velho Mussolini fazem parte do imaginário popular italiano e do acervo de imagens clássicas dos antifascistas.


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