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Casal é impedido de tomar vacina vestindo camiseta contra governo

Luiz Carlos e sua esposa, Dirlene Barros, ambos de 61 anos, foram barrados no quartel dos Bombeiros na Barra da Tijuca por estarem usando a peça de roupa com palavras de protesto

Pamela Malva Publicado em 13/07/2021, às 13h00

Imagem meramente ilustrativa de pessoa sendo vacinada
Imagem meramente ilustrativa de pessoa sendo vacinada - Divulgação/ Pixabay/ huntlh

Ao buscarem a segunda dose da vacina contra o Coronavírus, o casal de professores Luiz Carlos e Dirlene Barros de Oliveira foram impedidos de serem vacinados por estarem usando uma camiseta contra o Governo Bolsonaro, segundo o G1 e o jornal O Dia.

Tudo aconteceu em um quartel dos Bombeiros na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Naquele dia, Luiz e sua esposa, ambos com 61 anos, foram abordados por um militar na fila de espera da vacinação. Nesse momento, de acordo com o professor, o oficial afirmou que, por ordem do comando, o casal não poderia ser imunizado com a camiseta.

"O soldado nos abordou com certo constrangimento e disse que o comando não está permitindo vacinar ninguém com camisas e cartazes com mensagens políticas”, narrou. “Ele foi muito educado e ofereceu um banheiro para que fosse feita a troca das camisas.”

Foi apenas depois de tirar as peças de roupa que o casal carioca conseguiu receber a vacina. Enquanto Luiz vestiu sua camiseta do avesso, Dirlene foi imunizada vestindo apenas a camiseta que trazia por baixo da peça com palavras de protesto.

Em determinado momento, Luiz Carlos, que é professor de história, afirmou aos bombeiros que a atitude de impedir sua manifestação era um ato ilegal. "É uma decisão autoritária, que não tem sustentação nenhuma”, comentou o acadêmico.

“Eles avisaram que se alguém visse algum tipo de manifestação política no momento da vacinação, o soldado que estivesse ali poderia ser preso por até 30 dias”, narrou o professor. “Todos falavam a mesma coisa e aparentavam ter muito medo."
Casal de professores com as camisetas e Luis Carlos sendo vacinado / Crédito: Divulgação/ Arquivo Pessoal

 

Protestos anteriores

Acontece que, para Luiz Carlos, o impedimento só aconteceu porque houve uma queda de popularidade do Governo Bolsonaro. Isso porque, quando foi tomar a primeira dose da vacina, em abril, o professor também usava uma camiseta que criticava o governo e, na ocasião, não encontrou nenhum obstáculo para se vacinar.

"Quando eu tomei a primeira dose, com a minha mulher, no mesmo quartel, com as mesmas pessoas, não tivemos problemas”, lembrou o professor. “Como a aprovação do governo era boa, não teve problema nenhum. É muito sintomático o que está acontecendo. É uma tentativa de criar um tipo de censura das pessoas que querem se manifestar contra o que o governo tá fazendo.”

Luis Carlos tomando a primeira dose com camiseta de protesto / Crédito: Divulgação/ Arquivo Pessoal

 

Ainda de acordo com o G1, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro afirmou, em nota oficial, que os pontos de vacinação do Corpo de Bombeiros são administrados pelo Governo do Estado. Ainda mais, a pasta pontuou que repudia atitudes que vão contra qualquer tipo de manifestação, desde que pacífica, no momento da vacinação.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) e secretário de Estado de Defesa Civil coronel Leandro Monteiro, por sua vez, afirmou que o que aconteceu com o casal foi um fato isolado. Nesse sentido, ele deixou claro que é a favor da liberdade de expressão.

O próprio CBMERJ, por fim, disse que irá investigar o caso e reiterou “que não existe uma determinação oficial do comando da corporação que proíba este tipo de manifestação por parte de civis em nenhum dos quartéis que abriram as portas para a vacinação”.