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De acordo com jornal, governo Bolsonaro pediu propina para compra de vacinas contra a Covid-19

O representante de uma distribuidora afirmou que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, cobrou propina de 1 dólar por dose

Redação Publicado em 30/06/2021, às 08h15

Roberto Dias, diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde
Roberto Dias, diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde - Divulgação/Marcello Casal Jr./Agência Brasil

De acordo com uma matéria da Folha de São Paulo,Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante de uma distribuidora de vacinas, afirmou em entrevista exclusiva que o governo pediu propina de 1 dólar por dose para fechar contrato. Ele afirma que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, realizou a cobrança em um restaurante de Brasília, no dia 25 de fevereiro.

A empresa Davati Medical Supply procurou o ministério para negociar 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, com uma proposta inicial de US $ 3,5 por cada, que depois passou para US $ 15,5. "O caminho do que aconteceram bastidores com o Roberto Dias foi uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa", contou Dominguetti

"Eu falei que nós tínhamos a vacina, que a empresa era uma empresa forte, a Davati. E aí ele falou: 'Olha, para trabalhar dentro do ministério, tem que compor com o grupo'. E eu falei: 'Mas como compor com o grupo? Que composição que seria essa? '", declarou o representante. 

"Aí ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não trabalhava com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério, se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que uma proposta que a gente estava propondo ", afirmou Dominguetti

"Aí eu falei que não tinha como, não fiz, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: 'Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma".

Segundo o representante da Davati, seria necessário então incorporar 1 dólar por dose. "Dariam 200 milhões. de doses de propina que eles queriam, com R$ 1 bilhão. E, olha, foi uma coisa estranha porque não estava só eu, estava ele e mais dois. Era um militar do Exército e um empresário lá de Brasília ", disse ele.

Sobre a Covid-19

De acordo com as últimas informações divulgadas pelos órgãos de saúde, atualmente, o Brasil já registrou um total de 18,5 milhões de pessoas infectadas, e as mortes em decorrência da doença já chegam em 516 mil no país.   

Em 1º de dezembro de 2019, o primeiro paciente apresentava sintomas do novo coronavírus em Wuhan, epicentro da doença na China, apontou um estudo publicado na revista científica The Lancet em fevereiro deste ano.

De lá pra cá, a doença já infectou 182 milhões de pessoas ao redor do mundo, totalizando mais de 3,94 milhões de mortes.