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Notícias / Crimes

Caso Moïse: Tropicália continuou funcionando mesmo com corpo no chão

Mesmo com corpo do congolês estirado no chão por quase 3h, clientes continuaram consumindo no local

Fabio Previdelli Publicado em 09/02/2022, às 12h23

Imagens mostram agressor perto do corpo de Moïse - Divulgação/TV Globo
Imagens mostram agressor perto do corpo de Moïse - Divulgação/TV Globo

No dia 24 de janeiro, o jovem congolês Moïse Kagabamge, de 24 anos, foi espancado até a morte depois de cobrar o pagamento de seu salário atrasado. Ele trabalhava no Quiosque Tropicália, que fica próximo ao Posto 8, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Apesar do crime brutal, imagens da noite do crime mostram que o Tropicália continuou funcionando normalmente, vendendo bebidas e drinks, por quase três horas após a morte de Moïse

O mais chocante, porém, segundo relatado pela Folha de S. Paulo, é que tudo isso aconteceu com o corpo do congolês estendido no chão. Ao menos seis clientes compraram produtos no local enquanto Moïse era espancado ou depois que ele já estava morto. Funcionários do espaço também seguiram trabalhando como se nada tivesse acontecido. 

As imagens fazem parte do inquérito policial levantado pela Delegacia de Homicídios. Os registros, que estão sob sigilo, correspondem ao período das 22h25 até às 1h27 da madrugada. 

Conforme relatado pela equipe do site do Aventuras na História, três suspeitos de terem assassinado o congolês foram presos preventivamente sob acusação de homicídio duplamente qualificado — por morte por meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. 

Gravações de câmeras de segurança apontam que o fatal episódio durou poucos minutos: às 22h25 uma discussão começou entre Kagabamge e um empregado do quiosque. Logo em seguida Brendon Alexander Luz da Silva, que trabalha em outra barraca, chegou ao Tropicália e derrubou o congolês no chão. 

De acordo com as imagens, Moïse passou a ser agredido com um pedaço de pau e um taco de beisebol por Fábio Pirineus da Silva — que trabalha vendendo caipirinha na areia da praia. Aleson Cristiano Fonseca, que é vendedor no quiosque vizinho Biruta, chegou e começou a desferir socos no congolês. 

Em um momento é possível ver Kagabamge batendo com a mão no chão como sinal de desistência de um confronto físico, segundo relata a Folha. Mesmo assim, Aleson se armou com o taco de madeira e o agrediu mais vezes. 

Por volta das 22h32 Moïse parou de se mexer. Em seguida ele foi desamarrado e Brendon tentou reanimá-lo. Enquanto isso, às 23h14, o quiosque continuava atendendo clientes normalmente. 

No minuto seguinte, uma equipe de resgate chegou e tentou reanimar Moïse por cerca de 24 minutos. A polícia militar encostou no local pouco depois e passou a conversar com os trabalhadores do local. Neste meio tempo, os socorristas desistiram de tentar reanimá-lo. 

Às 23h44 o corpo do congolês foi coberto com um pano branco. Paralelamente a isso, um homem comprou três latões de cerveja enquanto via a cena. Por volta da 00h30, um funcionário quebrou um coco e o entregou para uma cliente. Enquanto isso, o corpo de Kagabamge permanecia estirado no local. 

Às 1h13, a equipe de peritos da Polícia ainda tirava algumas fotos do corpo no local. Evidências também foram recolhidas do espaço. Vale ressaltar que, em nenhum momento, o quiosque foi isolado para perícia.