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Cientistas rastreiam trajetória de 22 milhões de anos percorrida por asteroide antes dele chegar na Terra

Encontrado em 2018, no Deserto de Kalahari, em Botswana, um fragmento do meteoro garantiu novas pistas sobre sua viagem

Pamela Malva Publicado em 01/05/2021, às 12h30

Imagem meramente ilustrativa de asteroide no espaço
Imagem meramente ilustrativa de asteroide no espaço - Divulgação/Pixabay

Pela primeira vez na história da ciência moderna, pesquisadores conseguiram mapear com precisão a trajetória de um meteoro antes mesmo que ele entrasse em nossa atmosfera. Trata-se da jornada de 22 milhões de anos percorrida por um fragmento do asteroide 2018 LA, que caiu no Deserto de Kalahari, em Botswana, em junho de 2018.

Publicada na sexta-feira, 23, na revista Meteoritics & Planetary Science, a descoberta inédita revelou que o fragmento da rocha veio do Vesta, o único asteroide visível a olho nú e o segundo maior que a ciência conhece em nosso Sistema Solar.

Composta por pesquisadores do Instituto SETI, nos Estados Unidos, e do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, a equipe de cientistas utilizou uma tecnologia de ponta para acompanhar a trajetória do objeto. Além de um telescópio da Nasa, o asteroide também foi observado através de um telescópio ANU SkyMapper, que fica na Austrália.

A partir das imagens, então, verificou-se que o chamado 2018 LA media cerca de 1,5 metro de diâmetro e, pesando 5,7 kg, viajou a 60 mil quilômetros por hora até chegar em Botswana. Uma vez em terra firme, o primeiro fragmento dos 23 meteoritos encontrados foi chamado de Motopi Pan, pesava 18 gramas e tinha 3 centímetros de diâmetro.

Fotografia de um fragmento do asteroide chamado 2018 LA / Crédito: Divulgação/SETI Institute

 

Nas mãos dos cientistas, as pequenas rochas foram submetidas a diversos testes, que revelaram sua composição. "Os materiais mais antigos encontrados tanto em Vesta quanto no meteorito são grãos de zircão que datam de mais de 4,5 bilhões de anos atrás, durante a fase inicial do Sistema Solar”, narrou o cientista Christopher Onken.

O especialista, inclusive, foi o responsável por analisar as imagens do Motopi Pan antes que ele entrasse na atmosfera. Por isso, ele acompanhou o desenvolvimento da pesquisa, a segunda vez em que pudemos observar um asteroide ainda no espaço.

Por fim, os cientistas determinaram que o asteroide 2018 LA foi ejetado de Vesta há cerca de 22 milhões de anos. Na ocasião, um grande impacto formou a bacia Veneneia, uma conhecida região do meteoro, cuja data de formação remonta há 4,2 bilhões de anos, segundo os resultados encontrados pela pesquisa.