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Notícias / Mundo

Ditadura argentina: Ex-coronel tem julgamento marcado na Itália

Carlos Luis Malatto, acusado pelo assassinato de oito pessoas durante a ditadura militar argentina, será julgado em Roma

Redação Publicado em 10/01/2024, às 18h34

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Imagem dos protestos contra os crimes cometidos durante a ditadura na Argentina - Reprodução/Abuelas de Plaza de Mayo
Imagem dos protestos contra os crimes cometidos durante a ditadura na Argentina - Reprodução/Abuelas de Plaza de Mayo

Após mais de quarenta anos desde o final da ditadura militar argentina, que se estendeu entre 1976 e 1983, um juiz de Roma ordenou que o tenente-coronelCarlos Luis Malatto, do exército argentino, fosse julgado na Itália pelo assassinato de oito pessoas. 

O ex-militar possui acusações de crimes contra a humanidade na Argentina, o que o levou a fugir do país em 2011, e se abrigar em um vilarejo turístico na província de Messina, na Sicília. Segundo procuradores argentinos, Malatto “participou ativamente em vários procedimentos de detenção e é um dos mais infames perpetradores” da ditadura “pela sua participação em interrogatórios sob tortura”.

Conforme repercutido pelo jornal The Guardian, há 10 anos, Roma recusou o pedido de extradição do governo argentino, pois segundo os juízes daquela época, não havia provas suficientes contra o ex-tenente-coronel. 

Porém, a presença de Malatto na Itália gerou revolta na Argentina, especialmente após a divulgação de que ele residia pacificamente no país europeu, enquanto os parentes das vítimas e as autoridades argentinas buscavam por justiça.

Eu me pergunto como um [suspeito] de genocídio pode viver livremente quando em 1976, só na nossa província de San Juan, quando ele era tenente-coronel, mais de 100 pessoas desapareceram”, disse Viviana Arias, filha de Florentino Arias, sequestrado em outubro de 1976 na cidade de San Juan, onde Malatto atuava. 

Julgamentos e sentenças

Como explicou Arturo Salerni, advogado dos familiares das vítimas supostamente mortas por Malatto, esta não é a primeira vez que o governo italiano teve que lidar com casos como este. 

Muitos dos criminosos que faziam parte desses regimes na época fugiram para Itália, aproveitando-se das suas origens italianas e da dupla nacionalidade. Inicialmente, eles viviam pacificamente no campo. Depois, quando as autoridades começaram a investigá-los, muitos foram processados ​​e condenados.”, afirmou Salerni

No ano de 2019, um tribunal na Itália sentenciou 24 pessoas à prisão perpétua devido à sua participação na Operação Condor, quando as ditaduras de seis nações sul-americanas trabalharam em conjunto para sequestrar e assassinar opositores políticos nos territórios uns dos outros.

Muitos deles pensaram que sairiam impunes na Itália. Mas, em vez disso, muitos receberam sentenças mais duras do que possivelmente teriam recebido nos seus países de origem.”, adicionou Salerni

Nesta terça-feira, 9, foi anunciado que o julgamento de Malatto terá início no próximo dia 22 de abril. Caso seja considerado culpado, ele receberá uma sentença de prisão perpétua.

Para Augusto Sinagra, advogado de Malatto, “As aquisições testemunhais (todas vagas, imprecisas e boatos) obtidas na Itália ou na Argentina durante a fase de investigação preliminar não têm valor. O tenente-coronel Carlos Luis Malatto vive ‘esta situação’ com a absoluta serenidade de quem é inocente e sabe disso.”

Após o golpe de 1976, 30 mil pessoas da oposição foram assassinadas sistematicamente por militares argentinos, sendo a sua maioria não-combatentes desarmados. Até agora, 1.204 perpetradores do regime foram condenados em tribunais dos direitos humanos na Argentina. 

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