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Fósseis de mamíferos de 75,5 milhões de anos revelam sociabilidade dos animais

Segundo um novo estudo, ele possuíam um comportamento social notável já na era dos dinossauros

Isabela Barreiros Publicado em 04/11/2020, às 14h34

Ilustração do mamífero Filikomys primaevus
Ilustração do mamífero Filikomys primaevus - Divulgação - Misaki Ouchida

Mamíferos muito antigos já tinham comportamento social, diferentemente do que era pensado. Essa conclusão foi obtida por meio de um estudo realizado por um cientista da Universidade Yale, nos Estados Unidos, que analisou restos fósseis encontrados na Montanha Egg, no estado de Montana.

Eric Sargis, professor de antropologia em Yale e co-autor do estudo, investigou os 22 crânios ou esqueletos de ao menos 22 indivíduos de Filikomys primaevus, um pequeno mamífero recém-nomeado. Os fósseis datam do período Cretáceo Superior, há mais ou menos 75,5 milhões de anos, quando os dinossauros ainda eram dominantes.

Segundo o autor, esses animais desenvolveram sociabilidade muito antes do que se era pensado pelos cientistas. “Eles [os fósseis] fornecem uma riqueza de informações sobre como esses animais viviam. Eles nos dizem que se enterraram e se aninharam juntos. São vários adultos maduros e subadultos se reunindo, o que nunca tínhamos visto antes neste período”, explicou.

Nos dias de hoje, cerca de metade dos mamíferos placentários possuem comportamento social, assim como os marsupiais. Antes, os pesquisadores acreditavam que essa habilidade foi desenvolvida depois da extinção durante o Cretáceo-Paleógeno, há 66 milhões de anos. A nova pesquisa, porém, contraria essa tese.

“Como os humanos são animais sociais, tendemos a pensar que a sociabilidade é de alguma forma exclusiva para nós, ou pelo menos para nossos parentes evolutivos próximos, mas agora podemos ver que o comportamento social vai muito longe na árvore genealógica dos mamíferos”, afirmou Luke Weaver, da Universidade de Washington em Seattle. 

Ele explicou: “São um dos grupos de mamíferos mais antigos e estão extintos há 35 milhões de anos, mas no Cretáceo Superior eles aparentemente interagiam em grupos semelhantes aos que você veria nos esquilos terrestres modernos.”