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Notícias / Dopinho

Hospedagem em 'Dopinho', antigo centro de tortura, é possível

O 'Dopinho' foi o primeiro centro clandestino de tortura criado durante a Ditadura Militar

Redação Publicado em 04/08/2022, às 13h52

Fotografia de casa em que funcionou o antigo Dopinho, centro de tortura clandestino da Ditadura Militar - Reprodução/Airbnb
Fotografia de casa em que funcionou o antigo Dopinho, centro de tortura clandestino da Ditadura Militar - Reprodução/Airbnb

Durante o período da ditadura militar no Brasil, a repressão contra os opositores era uma marca muito forte na sociedade. Dessa forma, uma das características mais marcantes da fase do regime militar no Brasil é a tortura que muitas pessoas sofreram ou presenciaram, e até mesmo choca as pessoas até hoje em dia.

Uma das instituições governamentais da época que favorecia a repressão e a realização de torturas era o Departamento de Ordem Política e Social, conhecido como DOPS.

Porém, o órgão não era único: em Porto Alegre, logo após o golpe militar, surgiu o primeiro centro clandestino de torturas do Brasil, que veio a ser chamado de Dopinho, nome dado em homenagem ao órgão oficial.

No entanto, apesar de muitas pessoas terem sofrido nas mãos dos militares no local e ele ter inspirado a criação de outros centros de tortura pelo Brasil — e até pela América do Sul, que passava por outros regimes ditatoriais —, seu período de atividade não foi muito duradouro. Em 1966 as atividades ali foram suspensas, após a descoberta geral da morte do sargento Manoel Raimundo Soares, no que ficou conhecido como ‘caso das mãos amarradas’.

Dopinho, primeiro centro de tortura da Ditadura Militar, na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul
Dopinho, primeiro centro de tortura da Ditadura Militar, na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul / Foto por Eugenio Hansen, OFS pelo Wikimedia Commons

Hospedagem em centro de tortura?

Hoje em dia, o antigo Dopinho tem sido motivo de algumas discussões na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, onde se encontra. Uma placa que indicava o que era o local e contava brevemente sua história foi colocada em frente à propriedade em 2015, mas posteriormente foi coberta por concreto, e em 2021 uma nova placa foi colocada.

Além do mais, a propriedade também serve como hospedaria no Airbnb, o que muitas vezes choca turistas que não sabem da história do local, até chegarem lá. Aparentemente, ela não agrada tanto assim, e alguma ‘energia péssima’ parece permanecer no local mesmo após tantos anos, como informado por um usuário do serviço de hospedagens.

A casa tem uma energia péssima, vários pichos na frente com a palavra 'sangue', a casa estava toda manchada de pingos vermelhos e na frente uma placa da prefeitura dizendo que neste local morreram muitas pessoas torturadas pela ditadura, pois é um ex-Dopinho. Tive que cancelar a reserva e achar outro Airbnb no dia da minha formatura, foi terrível conseguir contornar a situação”, descreveu.

A dona do imóvel, no entanto, identificada como Maria Laura pelo portal Nossa, da UOL, disse que o imóvel sempre pertenceu à sua família, e que sempre quiseram esquecer do fato de ele “ser Dopinha na década de 1960”. Na plataforma do Airbnb, ainda, ele era anunciado como uma “linda casa de época moderna”, com três quartos e quatro banheiros.

Recentemente, porém, o anúncio do imóvel foi retirado da plataforma de hospedagem.


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