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Millvina Dean, a saga da última sobrevivente do Titanic

Embarcando com apenas dois meses de idade, a britânica relatou o impacto da tragédia em sua família ao longo da vida

Wallacy Ferrari Publicado em 06/10/2020, às 17h17

Millvina Dean (esq.) em montagem com o Titanic (dir.)
Millvina Dean (esq.) em montagem com o Titanic (dir.) - Wikimedia Commons

Em 2 de fevereiro de 1912, nascia Elizabeth Gladys Millvina Dean, filha de Bertram Frank e Georgette Eva. A jovem veio ao mundo no condado de Devon, localizado no sudoeste da Inglaterra, em um dos piores momentos possíveis; seus pais passavam por uma difícil crise financeira e, com isso, decidiram tentar a sorte nos Estados Unidos, planejando abrir um comércio de tabaco em Wichita, no estado do Kansas.

A oportunidade para custear a viagem transatlântica surgiu dois meses depois do nascimento de Millvina, em março do mesmo ano. Um dos empreendimentos mais importantes da White Star Line sofria com uma greve dos trabalhadores de carvão — sob a alegação de sobrecarga de trabalho após serem avisados da mão de obra necessária para a viagem — e precisava repor os funcionários o mais rápido possível para seguir o cronograma;

Sabendo disso, os pais da jovem se ofereceram para embarcar como passageiros de terceira classe e contribuir com o trabalho do navio. Assim, em 10 de abril de 1912, Millvina, o irmão Bertram Vere e os pais embarcaram no maior navio do mundo à altura; o RMS Titanic. Com apenas dois meses de idade, seguiu a viagem tranquilamente até a noite do dia 14.

Millvina durante a infância / Créditos: Wikimedia Commons

 

Noite do naufrágio

Acordado durante a noite, o pai da jovem sentiu a colisão do navio com o iceberg e, após ser avisado do possível naufrágio, foi até a cabine da família e retirou os filhos em direção ao convés. Ao direcionar, o caos presente na organização não favoreceu, deixando a saída dos botes ainda mais confusa para a família.

Um dos primeiros botes avistados foi o nº 10, que conseguiu abrigar Millvina e a mãe. O irmão, no entanto, se perdeu, o que levou o pai a fazer a procura. A prioridade de mulheres e crianças facilitou a entrada do barco, que rapidamente foi retirado para dar lugar ao bote seguinte. Assim, Millvina foi enrolada numa sacola de lona até o resgate, que ocorreu às seis horas da manhã do dia seguinte.

O jovem Bertram Vere posteriormente foi encontrado no navio-irmão Carpathia, provavelmente sendo resgatado nos botes seguintes. Já pai, no entanto, nunca mais foi visto com vida; morreu durante o naufrágio e não teve bens, roupas ou o próprio corpo recuperados.

Millvina concede entrevista para canal britânico / Crédito: Divulgação

 

Vida após a tragédia

Inicialmente, a mãe da pequena iria cumprir a viagem aos Estados Unidos e realizar o sonho do marido de recomeçar a vida, porém, sem recursos financeiros, voltou para a Inglaterra através do RMS Adriatic, sendo a atração do navio por ter sobrevivido ao acidente.

Um artigo do Daily Mirror, datado de 12 de maio de 1912, descrevia: “[Ela] era o xodó da viagem, e tão forte era a rivalidade entre as mulheres para cuidarem desse louvável mito da humanidade, que um dos oficiais decretou que os passageiros de primeira e segunda classe poderiam segurá-la não mais do que 10 minutos por vez”.

Apesar do apreço, Millvina passou boa parte da vida sem comentar o caso, se envolvendo com a saga no Titanic apenas aos 70 anos de idade, quando passou a visitar convenções de sobreviventes e aceitar entrevistas comentando o impacto do ocorrido na família. Sua mãe morreu em 1975, aos 96 anos, e o irmão Bertram, em 1992, aos 81 anos de idade.

Após o lançamento do filme, finalmente conheceu os Estados Unidos, participando de uma convenção em Springfield, Massachusetts, e autografando para centenas de entusiastas do evento. Se tornou a última sobrevivente do Titanic em outubro de 2007 após a morte de Barbara West Dainton, porém, faleceu dois anos depois, em 31 de maio de 2009, aos 87 anos de idade.


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