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Entenda toda a 'novela' do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia

Os termos para a saída britânica da União Europeia foram rejeitados pelos membros do Parlamento pela terceira vez nesta sexta-feira

Joseane Pereira Publicado em 29/03/2019, às 09h19

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Nas últimas semanas, a palavra "Brexit" tem sido uma das mais citadas nos jornais internacionais. Abreviação para British Exit, ou "saída britânica", em tradução literal, esse termo marca o desejo do Reino Unido em se desvincular da União Europeia.

O bloco econômico e político é formado por 28 países europeus. Suas raízes estão nas já extintas Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e Comunidade Econômica Europeia (CEE), que se uniram à Benelux (bloco econômico formado por Holanda, Bélgica e Luxemburgo) dando origem ao Mercado Comum Europeu, com a assinatura do Tratado de Roma em 1957.

Com o estabelecimento de um Mercado Comum, a criação oficial da União Europeia se deu em 1992, a partir da assinatura do Tratado de Maastricht. O acordo garante facilidades para que cidadãos dos países membros trabalhem e morem em qualquer um dos territórios, promovendo uma integração política, a livre circulação de mercadorias e a adoção de uma moeda única: o Euro, que é utilizado por 19 dos países do bloco. A UE conta com um Conselho, uma Comissão e um Parlamento, todos com sede em Bruxelas, na Bélgica, e também com um Banco Central da União, que fica em Frankfurt, na Alemanha.

Bandeira da União Europeia / Reprodução

 

Por que o Reino Unido quer sair da União Europeia?

A terra de Paul McCartney se tornou parte do Mercado Comum Europeu em 1973, e muitos dos parlamentares britânicos entraram de má vontade ou por razões superficiais, o que gerou muitas críticas de políticos e ceticismo por parte da imprensa britânica. Enquanto a geração mais jovem era favorável à entrada no bloco, políticos e cidadãos mais tradicionais viam pontos negativos, como uma imigração desenfreada, prejuízos à economia e perda de identidade nacional. Os mais de 40 anos de permanência no Bloco foram fruto de controvérsias, e muitos dos cidadãos se sentiam fora do alcance dos benefícios econômicos previstos.

Em 23 de junho de 2016, quando questionados em referendo se o Reino Unido deveria permanecer ou deixar a União Europeia, 52% dos britânicos decidiram que o país deveria abandonar o bloco regional. Esse referendo foi apenas o início de um processo de negociações entre o Reino Unido e outros países da UE para firmar os termos do "divórcio". Desde então, têm sido discutidos assuntos como o pagamento de 39 bilhões de libras para a UE pela quebra de contrato, o futuro dos cidadãos britânicos que moram em outros países europeus e como será o relacionamento entre Reino Unido e União Europeia após a saída.

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O divórcio oficial, que ficou conhecido como Brexit, foi agendado para o dia 29 de março de 2019. A União Europeia já aceitou o documento de saída, que depende agora da aprovação interna dos parlamentares britânicos. Entretanto, o Parlamento ainda não conseguiu chegar a um acordo sobre a separação, e a protagonista atual dessa história, a primeira-ministra britânica Theresa May, obteve da UE a proposta de saída em 12 de abril caso o documento não seja aprovado por seus semelhantes. 

Nesta sexta-feira, 29, os parlamentares votaram e recusaram pela terceira vez o documento de 585 páginas que firma a saída do bloco -- que o mundo espera que seja feita de forma 'amigável', não em 'litígio'. 344 votaram contra o acordo proposto por May e 286 a favor.

"É de lamentar profundamente que, mais uma vez, esta assembleia tenha sido incapaz de apoiar a saída da União Europeia de uma forma ordenada", lamentou a primeira-ministra, já apelidade de 'pata manca' por não conseguir liderar os políticos, após a votação.