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Notícias / Austrália

Pesquisadores identificam anfíbio de 240 milhões de anos encontrado intacto

Espécie foi encontrada nos anos 1990 por criador de galinhas que estava consertando parede de seu jardim

Fabio Previdelli

por Fabio Previdelli

fprevidelli_colab@caras.com.br

Publicado em 14/08/2023, às 12h38

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Fóssil encontrado - Richard Freeman/ UNSW Sydney
Fóssil encontrado - Richard Freeman/ UNSW Sydney

Há décadas, um criador de galinhas aposentado de Nova Gales do Sul, na Austrália, encontrou os restos fossilizados de uma criatura antiga e imaculadamente preservada: com a cabeça ainda presa ao corpo.

Agora, os pesquisadores acabaram de identificar tal criatura, que possui semelhanças a uma salamandra gigante de 240 milhões de anos. Segundo especialistas, o achado por "reescrever a evolução dos anfíbios na Austrália".

O achado

Em entrevista à BBC, Mihail Mihaildi relatou que encontrou o antigo fóssil do anfíbio enquanto consertava a parede quebrada de seu jardim, em sua residência em Umina, cidade que fica a cerca de 90 minutos ao norte de Sydney.

Na ocasião, Mihaildi comprou um pouco de arenito para arrumar uma parede. Mas assim que o sujeito começou a retirar as camadas externas da pedra, notou que havia algo embutido dentro.

Ao perceber que se tratava de algo significativo, Mihail contatou o Museu Australiano em Sydney. Em 1997, ele doou o fóssil ao instituto. E foi justamente em uma sala climatizada no local que o paleontólogo Lachlan Hart criou uma verdadeira obsessão pelos restos mortais.

"Eu era obcecado por dinossauros… e então eu, aos 12 anos, vi aquele fóssil em exibição em 1997. Agora, 25 anos depois, tornou-se parte do meu doutorado, o que é insano", disse à BBC.

Acontece que Hart passou a integrar uma equipe que período Triássico — cerca de 250 milhões de anos atrás — da Austrália. Assim, por 'sorte', seu grupo recebeu o fóssil para estudo.

"Não costumamos encontrar esqueletos com a cabeça e o corpo ainda presos, e a preservação de tecidos moles é uma ocorrência ainda mais rara", relatou em um comunicado da universidade sobre as descobertas da equipe que foram publicadas recentemente no Journal of Vertebrate Paleontology.

As pesquisas revelaram que o antigo anfíbio tinha cerca de um metro e meio de comprimento e uma forma corporal semelhante a uma salamandra. A espécie ganhou o nome de Arenaepeton supinatus, que em latim significa "trepadeira de areia nas costas".

Superficialmente, o Arenaerpeton se parece muito com a moderna salamandra gigante chinesa, especialmente no formato de sua cabeça", explicou. "No entanto, pelo tamanho das costelas e pelo contorno do tecido mole preservado no fóssil, podemos ver que ele era consideravelmente mais pesado do que seus descendentes vivos."

Os pesquisadores disseram que, durante seu tempo, o Arenaerpeton viveu nos rios de água doce da Austrália. "Este fóssil é um exemplo único de um grupo de animais extintos conhecidos como temnospondyls, que viveram antes e durante o tempo dos dinossauros".

Representação do Arenaepeton supinatus/ Crédito: UNSW Sydney

Os Temnospondyls foram criaturas extremamente resistentes, sobrevivendo a dois dos cinco eventos de extinção em massa da Terra — o que inclui um há 66 milhões de anos, quando uma série de erupções vulcânicas matou entre 70 e 80 por cento de todos os dinossauros.

"Os últimos temnospondyls estavam na Austrália 120 milhões de anos depois de Arenaerpeton, e alguns cresceram para tamanhos enormes", contou Hart. "O registro fóssil dos temnospondyls abrange dois eventos de extinção em massa, então talvez essa evolução de tamanho aumentado tenha ajudado em sua longevidade."

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