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Quais são os prováveis desdobramentos do boicote dos EUA aos Jogos Olímpicos de Inverno, na China

Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional revela como a ação repercutiu entre o povo americano e o que esperar do governo chinês em resposta

Redação Publicado em 13/12/2021, às 15h10

Montagem mostrando Joe Biden (à esquerda) e cartaz de divulgação dos jogos de 2022 (à direita)
Montagem mostrando Joe Biden (à esquerda) e cartaz de divulgação dos jogos de 2022 (à direita) - Divulgação/ Getty Images/ Comitê Olímpico Internacional

Os Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados em fevereiro de 2022 em Pequim, estão a alguns meses de acontecer. Entretanto, polêmicas entre algumas nações e o país sede já começaram.

O comitê diplomático que seria composto por políticos e ministros dos Estados Unidos irá realizar um tipo de boicote ao evento, fazendo com que a delegação de atletas chegue ao país sem nenhum representante de estado.

Jen Psaki, secretária de imprensa da Casa Branca, condenou o comportamento do governo chinês ao divulgar a decisão do país. Ainda de acordo com ele, a administração Biden não enviará nenhuma representação diplomática ou oficial aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Pequim 2022 devido ao genocídio e aos crimes contra a humanidade realizados pela República Popular da China em curso em Xinjiang, além de outros abusos de direitos humanos.

“Os atletas do Team USA (Time EUA) terão nosso total apoio. Torceremos 100% por eles da nossa casa”, disse a representante do Executivo americano.

Em resposta, o governo chinês disse que esses países inevitavelmente pagarão o preço de suas ações equivocadas. A nota foi publicada pelo porta-voz de Relações Exteriores, Wang Wenbin.

Daniel Toledo, advogado que atua na área do Direito Internacional, fundador da Toledo e Associados e sócio do LeeToledo PLLC, escritório de advocacia internacional com unidades no Brasil e nos Estados Unidos, analisa sobre como essa decisão pode ter beneficiado a imagem do Presidente Biden em relação aos americanos conservadores.

“O americano, principalmente o mais conservador, gosta muito daquela sensação de que os Estados Unidos têm uma soberania mundial. Então sim, foi uma boa cartada política do presidente”, revela.

Ainda nesse tópico, o advogado relata como esse assunto repercutiu no país, trazendo à tona uma discussão ainda mais profunda.

“Internamente repercute muito bem, porque muitos americanos já estão querendo alguma forma de retaliação. Mas falar que a principal razão seria por conta dos direitos humanos não é muito real, e isso tem sido muito questionado aqui nos Estados Unidos. Afinal, recentemente vimos o que aconteceu no Afeganistão, então esse argumento para o boicote parece realmente uma artimanha política que foi criada pelo atual governo americano”, pontua.

Sobre a fala contundente do porta-voz chinês, Toledo revela que o aviso mostra que a China está aberta a aplicar sansões econômicas aos países que boicotarem o evento.

O especialista em Direito Internacional mostra preocupação com a falta da apresentação de dados concretos da China em relação a pandemia de Covid-19, afirmando que isso pode acabar acarretando numa nova onda de contaminação de variantes recém-descobertas do vírus.

“A China é o país mais populoso do mundo e teve um dos números mais baixos de contaminação e mortes, mas não sabemos até onde isso é efetivamente real. Ter essa competição, mandando atletas, equipes e seleções de diversos países do mundo para lá, sendo que essas pessoas podem se contaminar e saírem de lá ao final dos Jogos Olímpicos de Inverno é um problema grave. Nós estamos abrindo as portas para uma contaminação e um spread talvez até maior da doença. Por isso, devemos tomar muito cuidado”, finaliza.


*Daniel Toledo é advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em Direito Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da LeeToledo PLLC.

Para mais informações, clique aqui. Toledo também possui um canal no YouTube com quase 150 mil seguidores com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente. Ele ainda é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB São Paulo e Membro da Comissão de Direito Internacional da OAB Santos.