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Tesouro de moedas celtas avaliado em R$ 51 milhões foi produzido por grupos da Bretanha e Normandia

Moedas foram enterradas como proteção contra invasores romanos no primeiro século depois de Cristo

Redação Publicado em 25/03/2019, às 11h38

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Reprodução

Pesquisas recentes indicam que o maior tesouro de moedas celtas já encontrado seja na verdade dois depósitos milionários enterrados juntos. O tesouro de Le Câtillon II, datado do primeiro século depois de Cristo, inclui 70.000 moedas de ouro e prata e 11 colares de ouro.

Devido a variações na qualidade de sua produção, os pesquisadores acreditam que as moedas foram cunhadas por dois grupos distintos e originárias de diferentes épocas e lugares, provavelmente Bretanha e Normandia. A coleção, estimada em 10 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 51 milhões), provavelmente foi enterrada como forma de proteção contra os invasores romanos, dizem os especialistas.

O tesouro foi retirado de um grande bloco de terra em 2016, e tem sido desmontado durante os últimos três anos.  A posição de cada item está sendo registrada usando o mapeamento a laser, e dados preliminares revelam resultados surpreendentes. Acreditava-se inicialmente que o tesouro pertencesse aos Coriosolitae, grupo celta que vivia na Bretanha, mas pesquisadores agora estimam que parte dele tenha sido produzido por grupos no oeste e na baixa Normandia. 

Parte do tesouro sendo retirada / Reprodução

 

O primeiro, mais antigo, contém moedas de ouro e jóias, bem como lingotes de metal precioso que podem ter sido trazidos para Jersey a partir de Dinan, na Bretanha.  No segundo tesouro, a ausência de metais preciosos sugere uma ausência deste metal, possivelmente como resultado da ocupação romana. Os dois tesouros podem ter sido escondidos juntos, enquanto legiões romanas avançavam sobre o que é hoje a França.

Pesquisador Neil Mahrer examina parte do tesouro / Reprodução

 

O achado arqueológico foi feito há sete anos pelos caçadores de tesouro amadores Reg Mead e Richard Miles, que passaram 30 anos à sua procura. "O que nos surpreendeu foi que todos pensavam se tratar apenas de uma grande massa de metais, quando na verdade são dois corpos de material totalmente diferentes", disse Miles para o MailOnline. “Achamos que nosso tesouro de moedas tenha sido trazido para a ilha na época da invasão romana, possivelmente por proteção contra exércitos romanos. Uma [coleção] tem suas moedas de ouro datando de cerca de 80 a.C., identificadas com as tribos da Bretanha. A outra contém  moedas de prata de qualidade inferior e fabricadas posteriormente. "

"Não existem moedas romanas encontradas no tesouro, o que pode significar que elas tenham sido retiradas da Gália antes que a cunhagem romana fosse introduzida, armazenadas em Jersey após o ataque e, por qualquer motivo, enterradas juntas em um buraco", afirma.

A preponderância de objetos de ouro encontrados sugere que eles estavam em circulação antes da conquista da Gália por César, que começou em 58 a.C. Devido aos anos de ataque romano a pequenos grupos como os Celtas, é provável que parte da riqueza da região tenha sido escondida por motivos de segurança, formando tesouros como este.