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A luta eterna de Huey Newton, um dos fundadores dos Panteras Negras

Formado em direito, Newton comandou diversos programas sociais de auxílio às comunidades vítimas do racismo policial, no entanto, teve um fim doloroso

André Nogueira Publicado em 06/06/2020, às 08h00

Huey Newton
Huey Newton - Divulgação

Um dos principais fundadores do Partido dos Panteras Negras foi Huey Newton, um revolucionário afro-americano envolvido na militância pela igualdade social nos EUA. Estava familiarizado com a militância do tema desde a juventude, quando ingressou em grupos estudantis que lutavam pela história dos negros no Merritt College, Califórnia.

Newton foi influenciado por Malcolm X, o militante defensor de métodos mais violentos contra o aparato racista do país, o que o aproximou da esquerda política. Como consequência, junto ao amigo Bobby Seale, fundou o famoso Partido Pantera Negra de Autodefesa, onde atuava como um ministro de Defesa.

Agindo regionalmente, a militância de Huey era direcionada contra os abusos policiais cometidos corriqueiramente na Califórnia, que atacavam comunidades negras e pobres. Com um profundo conhecimento de direito, e principalmente penal, ele passou a auxiliar membros da comunidade e incentivar o uso de arma de fogo como forma de proteção, sob amparo da lei.

Fundação dos Panteras Negras / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com essa proposta, tornou-se famoso o porte público de rifles pelos membros do partido, que eram colocados sob o ombro até que fosse necessário o uso. Huey passou a comandar patrulhas nos bairros de Oakland, na defesa de cidadãos ameaçados pela polícia.

Eram comuns ataques violentos das autoridades por motivações racistas, e Huey amparava suas táticas no direito à defesa. Por isso, os Panteras Negras passaram a ter largo apoio da comunidade afro-americana local.

O partido, também era conhecido por uma série de programas sociais de auxílio, com arrecadação e distribuição de alimentos, programas de alimentação diária de crianças pobres, amparo médico e assistência legal. O senso de comunidade da organização era um dos eixos centrais da proposta política.

Por isso, Huey se tornou alvo das autoridades. Em 1967, sofreu um forte revés: foi parado pelo oficial John Frey durante uma patrulha, numa tentativa de criar um conflito que envolveria troca de tiros.

Um companheiro de ronda do policial, Herbert Heanes, também foi chamado durante o episódio, e deu-se início a um tiroteio, que levou ao ferimento dos três. Caídos no chão, Frey morreu de imediato. Huey e Heanes foram levados ao hospital. Diante das mortes, Newton chegou a ser espancado enquanto estava na maca.

Huey Newton / Crédito: Wikimedia Commons

 

Revés

Após a morte do policial, Newton foi condenado por homicídio culposo, permanecendo na cadeia até 1970, quando teve seu julgamento retomado após uma ação da promotoria estadual. Em liberdade, continuou promovendo a atividade política. Nesse momento conheceu David Horowitz, que o inspirou na fase mais engajada de programas de assistência a crianças pobres nas escolas, incluindo a construção de uma em Oakland.

O relacionamento estreito com Horowitz se deu até 1874, quando o famoso assassinato de Betty van Patter o fez se desiludir com o partido. Betty, secretária e contadora do movimento, indicada por David, se distanciou do grupo por questões políticas.

Depois de a moça ser encontrada boiando com sinais de espancamento (sem provas suficientes para qualquer conclusão de culpa), os Panteras Negras foram generalizadamente acusados de planejar a morte. Hoje, Horowitz é um importante nome da direita conservadora dos EUA.

No mesmo ano, quando se formou, foi acusado pelo FBI de assassinato de uma prostituta e passou ser perseguido. Como o PPN era o maior inimigo do governo, muitos acreditam que a acusação foi inventada. Perseguido, Huey se exilou em Cuba, voltando aos EUA apenas no ano de 1977. Foi a julgamento pelo suposto crime, sendo absolvido por falta de provas concretas.

Panteras Negras / Crédito: Getty Images

 

Huey focou nos estudos, mas, nunca abandonando os Panteras Negras. Tornou-se Phd em 1980, e poucos anos depois, teve que ser internado por abuso de drogas. Depois disso, passou a sofrer diversos episódios turbulentos, até ser assassinado em 1989.

As versões do crime são bastante contraditórias: a polícia alega se tratar do crime de um traficante com quem o militante teria problemas causados por brigas de gangue. Muitos membros do Movimento Negro afirmam se tratar de um crime político encoberto pelo Estado.


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