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"Cometerás adultério": o erro de impressão da Bíblia que revoltou a corte da Inglaterra

Em 1631, dois editores britânicos sofreram graves consequências após problemas com a reimpressão do Velho Testamento

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 21/03/2021, às 10h00

Imagem ilustrativa da Bíblia
Imagem ilustrativa da Bíblia - Wikimedia Commons

Em 1631, Robert Barker e Martin Lucas decidiram lançar uma versão da Bíblia na Inglaterra. No entanto, um pequeno detalhe mudaria a trajetória da obra.

Após um ano de circulação em toda a Inglaterra, uma denúncia chegou a comissão do rei Charles I, como repercutiu o jornal Washington Post. Alguns leitores e historiadores notaram, ainda no ano de lançamento, que havia dois erros tipográficos graves, podendo alterar por completo o sentido do Velho Testamento.

O primeiro deles aparece em Deuteronômio 5, onde a frase 'Eis que o Senhor nosso Deus nos mostrou a sua glória e a sua grandeza...' teve um problema de escrita na última palavra, sendo incorretamente grafada como “great-asse”, que seria equivalente a “grande traseiro” em inglês. Se não bastasse o erro, uma ausência foi ainda mais notada.

Trecho da bíblia com mandamento erroneamente tipografado / Crédito: Divulgação/Bonhams

 

Bíblia?

O importante capítulo de Êxodo, onde os mandamentos divinos são interpretados, sofreram uma grave alteração em 20:14; os editores acabaram removendo a palavra ‘não’ no mandamento 'Não cometerás adultério', induzindo o leitor a compreender que um dos mandamentos era, justamente, cometer a infidelidade e prevaricação sexual.

A denúncia foi suficiente para levar os editores até a Star Chamber, corte inglesa que se instalou no palácio de Westminster entre os séculos 15 e 17. A convocação foi feita pelo próprio rei Charles I junto ao então arcebispo de Canterbury, George Abbot, como explicou o jornal britânico Independent.

Levados a julgamento, o tribunal definiu que os dois erros eram primordiais para a compreensão de um material religioso e, com isso, sentenciou Robert Barker e Martin Lucas à multa de 300 libras, valor estimado em aproximadamente 41 mil libras em 2015, como informa reportagem da Folha, além de perderem os direitos de publicação.

 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Relíquia errada

Após a descoberta, a maioria das cópias comercializadas foram retiradas de circulação a mando do rei, no entanto, várias cópias chegaram a ser adquiridas antes da proibição, iniciando uma caça ao tesouro que perdura até os dias atuais. Em 2015, por exemplo, a casa de leilões Bonhams iniciou um leilão com uma das cópias em melhor estado de conservação conhecidas.

Simon Roberts, especialista da casa de leilões, explicou ao The Guardian que o erro pode ter sido um episódio de sabotagem: “Possivelmente perpetrado por um rival de Barker, Bonham Norton, para embaraçá-lo politicamente. [...] De certa forma, ainda há julgamento sobre por que o erro aconteceu"

O leilão teve o lance inicial de 10 mil libras e foi arrematado por £31,2 mil (cerca de R$ 237 mil). Simon acrescentou que o erro é ainda mais bizarro pela importância dos trechos: "A princípio, imaginou-se que se tratava de um erro que não havia sido percebido, o que é um tanto improvável — se você tivesse de checar ao menos dez coisas, pensaria em checar essa página”.


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