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Constelações Indígenas: formas tradicionais de observar o cosmos

Segundo a etnoastronomia, cada cultura tem um modo único de olhar o céu

Joseane Pereira Publicado em 25/03/2019, às 13h25

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Divulgação

Desde os tempos mais remotos, o céu tem sido usado como mapa, calendário ou relógio. Sua observação tem servido para orientar navegantes, organizar colheitas e prever fenômenos naturais e, ao observar o céu, cada povo tende a perceber aspectos de sua própria cultura.

No mundo ocidental, que é herdeiro da cultura greco-romana, estamos acostumados com as constelações criadas pelos Gregos, que viam no céu animais como o Leão, Escorpião e Touro, e seres fantásticos como Capricórnio e Sagitário. Entretanto, a Etnoastronomia nos ensina que existem tantos seres no céu quanto os povos humanos podem observar.

Para diversos indígenas brasileiros, como os Tupi-Guarani e os Terena da família Aruak, uma das figuras principais que podemos observar no céu noturno é a grande Constelação da Ema, que fica entre a constelação de Escorpião e o Cruzeiro do Sul. Segundo seus mitos, a Ema tenta devorar dois ovos de pássaro próximos ao seu bico, representados pelas estrelas alfa Muscae e beta Muscae, e o Cruzeiro do Sul estaria segurando o bico da ave que, de outra forma, acabaria devorando toda a humanidade. Grupos Terena do oeste paulista têm a ema como animal sagrado, utilizando historicamente suas penas para produção de objetos e vestimentas rituais. 

Constelação da Ema / Reprodução

 

Outra constelação importante para os Tupi-Guarani é a do Homem Velho (Tuya'i), formada pelas constelações ocidentais de Touro e Órion. Acima da cabeça do Homem Velho fica o aglomerado estelar das Plêiades, visto pelos indígenas como um penacho amarrado em sua cabeça. A estrela vermelha Beltegeuse representa o lugar em que sua perna foi cortada, e o Cinturão de Órion (Três Marias) representa o joelho da perna sadia. Na sua mão direita ele segura um bastão para se equilibrar.

Constelação do Homem Velho / Reprodução

 

Por volta de 1612, o missionário francês Claude d’Abbeville registrou em expedição 30 constelações conhecidas pelos Tupinambá do Maranhão. Essas informações foram publicadas em seu livro “Histoire de la Mission de Pères Capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisins”, publicado em Paris, e é considerado umas das mais importantes fontes de etnoastronomia Tupi. 

Além destas, constelações como da Anta, da Tartaruga e do Veado também estão presentes na mitologia indígena.