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Até 1913, pais enviavam seus filhos por correio

Carimbando e selando os pequenos, as famílias economizavam bastante em passagens

Thiago Lincolins Publicado em 08/11/2019, às 08h00

Os carteiros achavam a ideia divertida; quer dizer, a maioria deles
Os carteiros achavam a ideia divertida; quer dizer, a maioria deles - Divulgação / National Postal Museum

Começou por uma questão prática. Até 1913, os correios dos Estados Unidos só mandavam cartas, com um limite de 2 libras (907 g). Então, foi criado o serviço de encomendas postais, permitindo mandar pacotes de até 11 libras (4,98 kg).

Os pais de um bebê chamado James Beagle, de 8 meses, fizeram as contas e mediram seu rebento – ele pesava 10 libras. Assim, decidiram mandá-lo para passar um tempo com a avó através da agência dos correios, que não teve alternativa a não ser carimbar e enviar – nenhuma regra dizia que as 11 libras não poderiam ser de gente.

Crédito / National Postal Museum

 

Não demorou muito para que a história do pequeno James se tornasse viral. "Ele teve algumas manchetes quando aconteceu, provavelmente porque era muito fofo", afirma a historiadora do Serviço Postal dos Estados Unidos Jenny Lynch. 

Após o estouro nos jornais, outras famílias começaram a tentar o esquema. Numa "feliz" coincidência, os correios haviam subido o limite máximo para 50 libras (22,6 kg).

Encomendas humanas 

May Pierstorff, de 4 anos, foi enviada de sua casa em Grangeville, Idaho, até a de seus avós, a cerca de 73 quilômetros de distância, com selos colados no casaco. Edna Neff, de 6 anos, seria a recordista, mandada de Pensacola, Flórida, até Christiansburg, Virgínia, num percurso de 1.158,73 quilômetros.

A história não é tão chocante quanto parece. As crianças não eram jogadas em sacos junto com outras encomendas. Simplesmente acompanhavam os funcionários do correio pelo caminho. Muitos desses eram conhecidos pelas famílias. Daí vinha a confiança dos pais em entregar os filhos de olhos fechados.

No ano seguinte, os correios decretaram que era ilegal mandar crianças. Ainda assim, com a ajuda de funcionários coniventes, os "pacotinhos" continuaram a ser enviados até 1920, quando mandar humanos por correios se tornou um crime federal nos EUA.


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