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Há exatos 51 anos, Carlos Lamarca comandava a primeira ação de guerrilha urbana contra a ditadura militar

O dia 9 de maio de 1969 ficou marcado em São Paulo pelo roubo simultâneo de dois bancos por militantes de esquerda, liderados pelo Capitão Vermelho

Jânio de Oliveira Freime Publicado em 09/05/2020, às 09h00

Lamarca ensina a atirar
Lamarca ensina a atirar - Wikimedia Commons

Um dos maiores nomes da guerrilha no Brasil foi o Capitão Carlos Lamarca, militar carioca envolvido com a luta armada contra a ditadura nos centros urbanos. Conhecido como grande atirador, Lamarca iniciou sua vida pública no exército e lá ganhou grande destaque por sua competência.

Em 25 de janeiro de 1969, pouco tempo depois do decreto do AI-5, Lamarca, decidido que mudaria de lado e se associaria à guerrilha contra o exército, tomou um caminhão do quartel de Quitaúna, em Osasco, onde servia, e o encheu com as metralhadoras e munições disponíveis para sua saída sumária. Resultado: o desertor fugiu do quartel dirigindo um caminhão carregado de armas para os guerrilheiros.

Carlos Lamarca / Crédito: Wikimedia Commons

 

Lamarca mantinha contato com um ex-sargento do exército, Onofre Pinto, que comandava o grupo de guerrilha conhecido como Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Após a fuga do exército, Lamarca decidiu integrar a Vanguarda e assumir a luta contra a Ditadura. Lá, conheceu Iara Iavelberg, militante comunista que seria sua esposa e companheira de lutas.

Na VPR, Lamarca entregou os 63 fuzis e 10 metralhadoras que roubara do Exército Brasileiro, além dos quilos de munição, e propõe a tomada de ação no centro urbano de São Paulo. Na época, uma das principais questões para os grupos de guerrilha era encontrar formas de financiar as ações e a subsistência dos guerrilheiros sem roubar do povo, que já era cotidianamente surrupiado.

Iara Iavelberg / Crédito: Wikimedia Commons

 

Diante do dilema, se convencionou que uma forma justa de arrecadação de fundos era o roubo de grandes bancos, que lucravam à custa do trabalho alheio e formavam grandes conglomerados de magnatas que controlavam as forças políticas. Para os guerrilheiros, o assalto a banco era visto como o retorno do dinheiro do povo, roubado dos ricos.

A ação de Lamarca se deu em 9 de maio de 1969, quando o capitão liderou um plano em dois polos em que os grupos entraram armados e renderam, simultaneamente, dois bancos na capital paulista: o Banco Mercantil de São Paulo e o Banco Itaú.

Os dois assaltos foram vitoriosos e a VPR conseguiu arrecadar fundos para manter o braço armado. Porém, a ação incluiu a baixa de um inocente: tentando impedir o assalto atacando o companheiro de Lamarca (sargento Darcy), o segurança do banco, Orlando Pinto Saraiva, foi abatido pelo capitão com dois tiros na nuca.

Lamarca se tornou um dos principais procurados pela polícia / Crédito: Wikimedia Commons

 

A ação de Lamarca marcou o início de um período de lutas e repressão nos centros urbanos do Brasil. São Paulo seria palco de diversos conflitos armados e assaltos a banco, na constante luta dos extremistas de esquerda contra o regime de exceção implantado pelos militares.


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