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Heather Tallchief: A mulher que roubou 3,1 milhões de dólares, mas cansou de ter uma vida de mentiras

Sua história é contada na nova série documental da Netflix, 'Roubos Inacreditáveis'

Fabio Previdelli Publicado em 20/07/2021, às 18h01

Mugshot de Heather Tallchief
Mugshot de Heather Tallchief - Departamento de Polícia de Las Vegas

A Netflix é conhecida por suas séries cativantes que misturam crimes reais com os mais diversos detalhes sobre as investigações do caso em questão — como entrevistas com autoridades que participaram das buscas e com reportagens da época que mostram a dimensão do acontecimento. 

Agora, a bola da vez do serviço de streaming o minidocumentário “Roubos Inacreditáveis”. Dividido em seis episódios, sendo que cada caso relatado é separado em duas partes cada, a produção, segundo sua sinopse oficial, retrata a história de “pessoas comuns que tentam cometer roubos extraordinários, que envolvem desde milhões em dinheiro até uísques de luxo”. 

No primeiro episódio somos apresentados a história de Heather Tallchief, uma jovem de 21 anos que consegue roubar a incrível quantia de 3,1 milhões de dólares de um carro-forte em Las Vegas.

Mas como isso foi possível? Conheça todos os detalhes do caso! 

O crime perfeito 

Era outubro de 1993 quando Heather Tallchief protagonizou um dos roubos mais ousados da história americana. Como explica matéria do NewsWeek, a jovem, que tinha 21 anos até então, trabalhava como motorista a dois meses para a Loomis, uma empresa especializada em segurança blindada. 

Para se ter uma ideia, a companhia transportava dinheiro de boa parte dos cassinos de Las Vegas. Então, pode-se imaginar que seus veículos sempre carregavam quantias exorbitantes que, sem dúvida alguma, poderiam chamar atenção de qualquer um criminoso. 

Cena de 'Roubos Inacreditáveis'/ Crédito: Divulgação/Netflix

 

E as coisas não foram diferentes para Roberto Solis. Como diz a NewsWeek, Solis era um assassino condenado e também havia se envolvido amorosamente com Tallchief — na época ele já tinha 48 anos. Estava ali a ponte perfeita para o crime.  

Na data em questão, os colegas de trabalho de Heather haviam a deixado sozinha dentro do carro-forte, enquanto eles estavam dentro do ‘Circus Circus Hotel and Casino’ carregando os caixas eletrônicos. 

Nesse momento, a jovem pegou o veículo que transportava 3,1 milhões de dólares e saiu em disparada até um galpão - que também havia sido alugado para realizar o plano com sucesso -, onde Roberto a estava esperando, conforme haviam combinado. 

Lá, a dupla transferiu toda a grana para um carro de fuga. Depois de despacharem caixas com o produto do roubo para Miami, eles foram até o aeroporto da cidade, onde embarcam em um avião fretado para a cidade da Flórida. 

Após uma intensa luta para despistar o FBI, e já com o dinheiro em mãos, eles conseguiram embarcar em outro voo, desta vez em direção à St. Maarten, na Holanda.

Ali terminava as pistas dos investigadores e começava o drama da família da jovem. “Muita gente achou que era ótimo, sabe?”, disse o pai de Heather, Fred Tallchief, ao Dateline. 

“Uma garota de 21 anos consegue US$ 3 milhões de dólares, ela rouba os cassinos, as seguradoras, como um Robin Hood. Ela venceu o sistema. É assim que eles olharam ... É uma garota de 21 anos com dinheiro, com um assassino condenado. Meu pior pensamento foi que ele a jogou no oceano para ficar com os 3 milhões”.  

Uma nova vida 

Segundo explica matéria da Esquire, o casal acabou comprando documentos falsos em St. Maarten. De lá, foram para Amsterdã viverem uma vida longe de quaisquer suspeitas. Foi na capital holandesa, inclusive, que Heather viveu sua gravidez.  

Conforme Tallchief explica em ‘Roubos Inacreditáveis’, não muito depois do nascimento de Dylan, eles se separaram. A jovem desejava que seu filho tivesse uma infância comum, assim, diz a Esquire, ela trabalhou como acompanhante e depois como uma empregada em um hotel para que isso fosse possível. 

Manchete relatando o caso/ Crédito: Divulgação/ Netflix

 

No ano de 1997, Heather conseguiu um passaporte falso do Reino Unido. Naquele momento ela começou a usar o nome de Donna Marie Eaton. Pouco depois, ela se apaixonou novamente e passou a criar seu filho junto de seu novo parceiro.  

A bombástica revelação 

A vida de Donna Marie, ou melhor, de Heather Tallchief, seguiu como de qualquer outra pessoa até seu filho completar 10 anos. Foi então que ela decidiu acabar com toda a mentira que viveu por todo esse tempo. Seu desejo era que Dylan pudesse viajar para os Estados Unidos, obter a cidadania americana e viver uma vida normal, perto de seus parentes. 

Como conta a Esquire, ela contactou um advogado americano para isso. Seguindo seus conselhos, em setembro de 2005, quando tinha 33 anos, Heather pegou um voo para a Califórnia e depois foi até Las Vegas, onde se entregou.  

“Estou fazendo isso por ele. Eu sinto que, ao me entregar e me render, posso dar a ele uma vida melhor, uma que ele merece”, declarou na época, conforme relatou a NBC News. 

Diante de 10 acusações criminais, a mulher confessou ser culpada por fraude bancária, aplicar fraude em cooperativa de crédito e posse de passaporte obtido de maneira fraudulenta.  

Tallchief em 2005/ Crédito: Divulgação/Netflix

 

“Você fica muito cansada de correr. Esta não é uma vida, porque tenho presumido outra coisa que não é a minha vida. Se você está morando mentalmente em uma prisão, o que é uma cela, um quarto, privilégios restritos? Não é nada comparado ao que já passei. Eu realmente sinto que estou me libertando”, disse à época, como aponta a Esquire. 

Qual o destino de Heather Tallchief? 

Podendo pegar até 40 anos de prisão federal, seus advogados argumentaram que, devido a sua idade, Heather havia sido manipulada a cometer o crime por seu namorado, que era muito mais velho que ela — tendo mais que o dobro de sua idade.  

Atriz que interpreta Heather na série documental / Crédito; Divulgação/Netflix

 

Além disso, a defesa alegou que Tallchief havia sofrido uma espécie de ‘lavagem cerebral’, explica a Esquire, para agir conforme o criminoso condenado pedisse. Dessa maneira, acabou sendo sentenciada a cinco anos de prisão. 

Além disso, também foi determinado que ela pagasse 2,9 milhões de dólares de volta à Loomis, relata a NewsWeek. Ou seja, uma divída quase que eterna. Dessa maneira, a mulher foi libertada da prisão em 2010. Atualmente, ela vive nos Estados Unidos e mantém uma relação próxima a seu filho, Dylan, que se formou na faculdade em 2019, como mostra a série da Netflix.  

Mas e Roberto Solis? Como explica a Esquire, o homem ainda é procurado pela polícia americana. Tallchief diz que não possui informações sobre o pai de seu filho desde que eles se separaram em Amsterdã.  

Mugshot de Solis/ Crédito; Divulgação/Netflix

 

Acredita-se que Solis já esteja morto. Porém, caso contrário, ele estaria com 76 anos, sendo 26 deles conseguindo escapar do radar do FBI. Isso, no entanto, parece ser uma coisa que nunca saberemos!


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