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De coração artificial ao Wi-Fi: 10 invenções criadas por artistas

O mérito intelectual pouco reconhecido de gente do cinema e sua contribuição para o progresso

Marcelo Testoni Publicado em 03/11/2019, às 07h00

Marlon Brando
Marlon Brando - Wikimedia Commons

Quando um nome do show business busca uma nova atividade que não seja brilhar em frente às câmeras é porque sua carreira declinou ou ele se cansou da fama. Assim fizeram Natalie Portman, estrela de Cisne Negro (2010), que decidiu dar uma pausa na carreira para estudar a evolução da mente em Harvard, e o ator Sam Neill, de O Piano (1993), que obtém renda extra com a produção de uvas da Borgonha que ele introduziu na Nova Zelândia.

Mas, tempos atrás, dividir a atenção entre filmes e projetos paralelos significava desafiar os regimentos de Hollywood. Hedy Lamarr, que protagonizou Sansão e Dalila (1949), por exemplo, se arriscou em querer que os EUA vencessem a Segunda Guerra. “Ela usou seu prestígio para promover um sistema de comunicação que inventou para as Forças Armadas”, revelou, em entrevista à AH, Anthony John Loder, filho da atriz.

Quando se aposentou, Marlon Brando, de O Poderoso Chefão (1972), se rendeu às aulas de música e à fabricação de instrumentos tribais. Por sorte, Lamarr e Brando tinham noção de propriedade intelectual e patentearam seus feitos. “Uma imagem vale mais que mil palavras, mas um protótipo vale milhões!”, palavras do inventor Trevor Baylis no livro 1001 Invenções que Mudaram o Mundo. Alguns ficaram famosos também pelas invenções. Outros, nem tanto.  

1. Paul Winchell – Coração artificial (1963)

Crédito: Wikimedia Commons

 

Durante uma festa, o dublador de Dick Vigarista, vilão da série animada Corrida Maluca (1968-1986), conheceu o cirurgião Henry Heimlich, de quem era fã, e sugeriu a ele a invenção de um coração mecânico para bombear sangue durante operações cardíacas tensas. Sob orientação do médico, Winchell bolou o protótipo, que depois de pronto e patenteado foi doado para a Universidade de Utah. Segundo o próprio astro, “as válvulas e câmaras não eram muito diferentes dos olhos móveis e da boca de uma marionete”.

2. Marlon Brando - Ajuste de tambor (2004)

Crédito: Wikimedia Commons

 

Quando jovem, o galã de Um Bonde Chamado Desejo (1951) apoiou diversos movimentos em defesa dos indígenas norte-americanos, com os quais teve aulas de produção e batuque de bongôs. Mas, como a carreira de ator tomava muito o seu tempo, deixou de lado o passatempo e só foi retomá-lo nos anos 2000, quando se redescobriu como designer de tambores. Ele criou um tipo de haste automática (nunca fabricada) para ajustar, conforme a força das batidas, a membrana elástica que reveste o instrumento.

3. Florence Lawrencen – Seta sinalizadora (1914)

Crédito: Wikimedia Commons

 

Atuante em mais de 300 filmes até a metade do século 20, entre eles No Tempo do Onça (1934) e Aconteceu Numa Tarde Chuvosa (1936), a atriz canadense radicada nos EUA herdou da mãe inventora a curiosidade por automobilismo e um grande talento para desenvolver peças de carros. Na década de 1910, ela criou um “braço sinalizador automático”, hoje conhecido por seta sinalizadora, e o sistema precursor das atuais luzes de freio.

4. Steven Spielberg – Game de guerra (1999)

Crédito: Wikimedia Commons

 

Se nas telonas ele dirige atores em O Parque dos Dinossauros (1993), nas telinhas de videogames Steven Spielberg conduz jogadores por ruínas e labirintos gráficos. É que, além de diretor de cinema, também é projetista de cenários e roteirista de jogos de aventura e ficção científica das marcas Sony e Nintendo. Em 1999, lançou o primeiro game de tiro em primeira pessoa passado na Segunda Guerra. O sucesso de Medal of Honor obrigou Spielberg a expandir a plataforma do PlayStation para Windows e Macintosh.

5. Hedy Lamarr – Sistema-base do GPS e Wi-Fi (1942)

Crédito: Wikimedia Commons

 

A diva da primeira cena de orgasmo do cinema, no filme Êxtase (1933), é também a inventora da tecnologia-base da telefonia móvel e do sistema de posicionamento global, GPS. Quando criou o salto de frequência, sistema baseado nas várias ondas de som emitidas pelas teclas do piano, Lamarr imaginou aplicá-lo nos aviões e navios de guerra dos Estados Unidos, para despistar radares nazistas. Caro demais, o sistema acabou engavetado e só foi redescoberto na virada do milênio.

6. Bill Nye – Válvulas do Boeing 747 (1969)

Crédito: Wikimedia Commons

 

Quem melhor para apresentar uma série de TV sobre ciência, Eureka (1993-1998), que um cientista da Nasa e engenheiro aeroespacial? Sim, além de ator e anfitrião do Epcot, da Disneyworld, Bill Nye é pesquisador da União Astronômica Internacional, responsável pela reclassificação do planeta Plutão para planetoide, e mecânico da empresa de aviação Boeing, onde atuou na fabricação de válvulas de ajuste de pressão do modelo de grande porte 747.

7. Harry Houdini – Roupa de mergulho (1921)

Crédito: Wikimedia Commons

 

Que Mister M que nada, o primeiro ilusionista a revelar nos palcos segredos e truques de mágicos famosos foi Houdini, na década de 1880. Ele também atuou como dublê e ator de filmes de suspense e ação, como O Mestre do Mistério (1919) e a Ilha do Terror (1920). É dele a patente da primeira roupa de lata e borracha usada por mergulhadores que se aventuram em resgates submarinos. Em 1995, um incêndio destruiu boa parte do acervo de protótipos do astro; só sobrou a armação metálica da roupa.

8. Zeppo Marx – Suporte da bomba atômica (1941)

Crédito: Wikimedia Commons

 

O caçula dos irmãos Marx, comediantes de Os Quatro Batutas (1931), era também engenheiro mecânico e proprietário de uma fábrica de engrenagens e correias hidráulicas. Envolvido com a fabricação de bombardeiros da Segunda Guerra, partiu dele a ideia de acoplar no avião Enola Gay argolas de fixação e transporte da bomba atômica lançada em Hiroshima, no Japão. Em 1948 o ator anunciou o lançamento de motocicletas com motor cilindrado de alta eficiência e baixa potência

9. Julie Newmar – Meia-calça (1970)

Crédito: Wikimedia Commons

 

Por incrível que pareça a patente dessa peça sensual é da Mulher-Gato, quer dizer, de sua primeira intérprete, na série de TV Batman (1966-1968). Tudo começou quando a atriz, insatisfeita com seu figurino nada provocante, costurou meias de náilon pretas a uma calcinha da mesma cor e foi para o estúdio de gravação. Em poucas semanas, já se viam mulheres nas ruas com as práticas meias-calças nudemar, chamadas assim por delinearem a nudez de Newmar.

10. Walt Disney – Som surround (1940)

Crédito: Wikimedia Commons

 

O áudio limpo e distinto das salas de cinema é obra do pai do Mickey Mouse. Ele foi criado para acompanhar Fantasia (1940), projeto de desenho animado e música clássica que Disney produziu com o maestro Leopold Stokowski. Insatisfeito com a qualidade do som existente, o cineasta usou nove gravadores ópticos independentes, cada qual com seu próprio microfone, para gravar as partes da trilha sonora. Depois, reproduziu o som por alto-falantes instalados atrás e ao redor da sala.


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