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Olive Oatman: Sequestrada por nativos-americanos duas vezes

Depois de ter sua família assassinada de maneira brutal, a garota e sua pequena irmã foram levadas para uma tribo indígena no Arizona

Isabela Barreiros Publicado em 25/08/2019, às 08h00

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Crédito: Reprodução

Em 1851, onde hoje está localizado o estado do Arizona, um grupo de nativo-americanos Tolkepayas atacou e assassinou quase toda a família Oatman, — apenas três dos filhos sobreviveram. Lorenzo foi gravemente ferido, mas Olive e Mary Ann, de respectivamente 14 e 7 anos, foram sequestradas.

Ao chegarem à aldeia, as irmãs foram tratadas de uma maneira que aparentava ser ameaçadora. No entanto, elas eram obrigadas a procurar comida, carregar potes de água, lenha, e fazer tarefas domésticas.

Um ano depois, indígenas da etnia Mohave foram visitar o local, e acabaram levando as meninas em troca de dois cavalos, vegetais, cobertores e algumas bugigangas. Na tribo, elas foram imediatamente acolhidas pela família do líder tribal, que passaram a se preocupar com o bem estar das duas.

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Elas desenvolveram uma relação muito próxima, mas não se sabe ao certo se a adoção aconteceu. Além disso, os símbolos tribais da etnia foram tatuados em seus queixos e braços. Após abandonar a aldeia, Olive afirmou que tinham sido tatuadas para que fossem marcadas como escravas, mas isso não é consistente.

Segundo a tradição Mohave, as marcas eram dadas ao próprio povo para que pudessem ser reconhecidos por seus antepassados na terra dos mortos.

Alega-se que uma seca tenha atingido a região e, em consequência disso, a tribo sofreu com uma longa escassez de alimentos. Por isso, a segunda irmã Oatman morreu de fome, por volta de 1855 e 1886.

Olive falava sobre os Mohave com afeição, e considerava-se assimilada ao povo. Ela recebeu um nome de clã, Oach, e um apelido, Spantsa, uma palavra que estava relacionada à luxúria.

Convivendo com a tribo, preferiu não se revelar a um grupo de americanos brancos que passou um tempo no local socializando e negociando. Ela também não sabia que seu irmão Lorenzo estava vivo.

A garota só retornou à cidade aos seus 19 anos, quando a aldeia recebeu um mensageiro de outra tribo indígena que falava em nome das autoridades do forte Yuma, no Condado Imperial dos Estados Unidos. Ele disse que os Mohave deveriam libertar a garota.

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Depois de muita discussão, foi decidido que ela voltaria para a sociedade da qual fazia parte antes do sequestro. Ela foi escoltada para o forte em uma viagem de 20 dias e foi recebida por pessoas que pareciam estar torcendo pelo seu retorno.

Mesmo com um período conturbado em sua vida, a garota teve uma trajetória normal. Ela casou, adotou uma menina e morreu após um ataque cardíaco quando chegou aos 65 anos. Hoje, existe uma cidade dedicada a ela no Arizona, denominada Oatman.