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Kathy Kleiner: a mulher que sobreviveu a fúria de Ted Bundy

Kleiner foi uma das duas mulheres que conseguiram escapar da morte brutal de Ted Bundy, em janeiro de 1978

Giovanna de Matteo Publicado em 10/10/2020, às 10h00

Montagem de Ted Bundy e Kathy Kleiner
Montagem de Ted Bundy e Kathy Kleiner - Divulgação

Kathy Kleiner Rubin tinha 20 anos quando o serial killerTed Bundy invadiu discretamente seu quarto na Florida State University, em 1978, com intenção de tirar a sua vida. 

Conforme relatado pela Rolling Stone EUA em 2019, ela afirmou que estava feliz que as pessoas ainda estejam falando sobre o homem que tentou matá-la. “Ele viveu, respirou e fez o que fez. E em algum momento ele era, possivelmente, uma pessoa real. Acho bom as pessoas lerem livros sobre Bundy... Eles precisam saber que existe o mal lá fora, mas eles podem controlá-lo.”

Kathy Kleiner nasceu em 1957, e quando tinha apenas 5 anos perdeu seu pai biológico. Depois de um tempo, sua mãe Rosemary casou-se com Harry Kleiner. A criança teria ganhado um padrasto gentil e amoroso. A sua infância não foi nada fácil. Ela teve que enfrentar um diagnóstico de lúpus e um tratamento com quimioterapia que a deixou muito fragilizada, tendo então que continuar seus estudos em casa.

No outono de 1976, Kleiner se matriculou na FSU em Tallahassee. No seu segundo ano seus pais convenceram-na a se mudar para a casa da fraternidade chamada Chi Omega, pois acreditavam que lá ela estaria mais segura. Assim fez.

Vítima do lunático

Bundy foi parar em Tallahassee como fugitivo. Embora ninguém soubesse oficialmente de seus brutais assassinatos, naquele momento ele já teria matado dezenas de mulheres em Washington, Utah e Colorado, entre outros crimes.

Assim, acabou sendo preso por suspeita de sequestro e uma acusação de assassinato. Aprisionado na cadeia de Glenwood Springs, Colorado, ele acabou escapando e partindo para a Flórida, onde alugou um quartinho perto da Chi Omega.

O criminoso Ted Bundy / Divulgação

 

Foi então por volta das 2h45 de 15 de janeiro de 1978, que Bundy dirigiu-se à casa da irmandade, onde encontrou duas brechas: uma pilha de lenha do lado de fora e uma fechadura quebrada na porta dos fundos. Ele, entusiasmado e com sede de sangue, apunhalou um tronco de madeira, entrou na casa e subiu ao segundo andar.

Ao se deparar com o primeiro quarto, ficou maravilhado com Margaret Bowman, que dormia sozinha. Logo o psicopata aproveitou o momento e acertou um golpe em sua testa e a estrangulou com uma meia-calça.

Entretanto, ele ainda não estava satisfeito, e se dirigiu para outro quarto, onde espancou, estuprou e estrangulou Lisa Levy. Além disso, Lisa foi abusada sexualmente com um pote de spray de cabelo e recebeu várias mordidas por todo o corpo; As marcas dos dentes de Bundy seriam a primeira prova física que o ligava aos seus crimes.

Depois ele se dirigiu à outro quarto, que por sorte se encontrava muito escuro, o que fez com que o assassino tropeçasse em um pequeno baú entre a cama de Kleiner e de sua companheira de quarto, Karen Chandler, e logo elas acordaram.

“Lembro-me do barulho de alguma coisa caindo e isso me acordou”, afirmou Kleiner em entrevista a Rolling Stone EUA ano passado. “O quarto estava escuro e eu não estava de óculos, mas me lembro de ter visto uma "figura" pouco iluminada. Eu não conseguia nem ver que era uma pessoa. Eu vi o porrete, o vi levantá-lo sobre a cabeça e atirar em mim... Na primeira vez, não doeu. Foi uma pressão, como se alguém apertasse seu braço. E então ele me bateu novamente. E eu acho que foi quando ele me bateu no rosto e quebrou meu queixo em três lugares e eu desmaiei. Mas isso é o que mais me lembro: ele erguendo o porrete e derrubando-o em cima de mim ”.

Luz no fim do túnel

Depois do ataque à Kleiner, ele tentou abater Chandler, entretanto, antes que pudesse tirar a vida de qualquer uma das garotas, o quarto se encheu de luz. “Eu vi a luz, era como a luz de Deus”, lembra Kathy. Do lado de fora da casa, uma colega da fraternidade chamada Nita Neary estava saindo do carro do namorado. Sem cortinas, os faróis do carro brilharam direto sobre as janelas do quarto.

E parece que foi assim que uma mulher conseguiu apavorar o serial killer Ted Bundy, que ao ver aquela luz, saiu correndo pelas escadas. Neary conseguiu vê-lo enquanto fugia. Ela o avistou, e mais tarde, seria a única que conseguiria testemunhar.

Enquanto Nita estava contatando a uma amiga o que tinha visto, Chandler caiu para fora de seu quarto, coberta de sangue. Quando elas foram ajudá-la, viram Kleiner sentada em sua cama em estado de choque. Pouco tempo depois os paramédicos chegaram a irmandade, levando os cadáveres e tentando salvar aquelas que ainda estavam vivas. 

Depois de uma semana hospitalizada, a polícia levou Kathy de volta ao local do crime, para que ela pudesse identificar um possível roubo. A cena ficaria marcada em sua mente para o resto da vida: “Havia sangue espalhado por toda a parede. Tudo acabado” ela explica. 

Traumatizada por Bundy, ela passou os próximos meses se recuperando na casa de seus pais, enquanto policiais disfarçados vigiavam os arredores. Afinal, ela tinha acabado de sobreviver a um encontro com um dos homens mais perigosos do país.

O serial killer Ted Bundy / Crédito: Wikimedia Commons

 

Bundy finalmente foi pego em 15 de fevereiro daquele ano. O julgamento do criminoso começou na primavera de 1979. Quando chegou o dia de sua testemunha, ela encontrou com ele pela primeira vez desde o incidente, e ele fissurava seus olhos nela, de um jeito apático. “Ele estava apenas me encarando”, contou ela. “Eu não estava com medo, não estava com raiva, tanto quanto uma... sensação de vômito. Foi tão ruim. Foi nojento".

Apesar do trauma, ela se empenhou em responder todas as perguntas e em um contra ataque, ela também, com muita força, olhou diretamente para ele enquanto o acusava. Em 24 de janeiro de 1989, ele foi morto depois de ser condenado à morte por cadeira elétrica.


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