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Chegou no Brasil: O que se sabe sobre a variante Ômicron até agora?

A nova cepa está se espalhando pelo mundo rapidamente

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 30/11/2021, às 20h09

Imagem ilustrativa
Imagem ilustrativa - Divulgação/Pixabay/geralt

Na última quarta-feira, 24, os cientistas da África do Sul alertaram a OMS (Organização Mundial de Saúde) a respeito de uma nova variante. Então identificada apenas como "B.1.1.529", a cepa acabou sendo classificada como "de preocupação" e batizada de "ômicron". 

Desde o princípio, seu potencial para apresentar uma alta taxa de transmissão já chamava atenção, além de suas mutações sugerirem que ela seria capaz de reinfectar pacientes. 

O nome da cepa corresponde a uma letra do alfabeto grego, assim como aconteceu com outras mutações perigosas no passado. O último exemplo disso foi a delta, que foi identificada primeiro na Índia e que viajou o globo, causando uma disparada de casos de covid-19 em inúmeros países.

A nova ameaça possui mais de 50 mutações (o dobro do número encontrado na delta), dentre as quais por volta de 30 estão localizadas na chamada 'proteína spike', que é a estrutura que permite ao vírus adentrar as células de nosso corpo, segundo informações repercutidas pelo g1.

Essa proteína também é o alvo da maioria das vacinas contra o coronavírus, o que preocupa a comunidade científica em relação à possibilidade de que as vacinas não funcionem contra essa cepa. 

Entenda abaixo mais detalhes a respeito dos perigos da ômicron, que infelizmente já está em solo brasileiro, de acordo com o Intituto Adolfo Lutz, que confirmou dois casos nesta terça-feira, 30. 

Imagem meramente ilustrativa / Crédito: Divulgação/ Pixabay

 

Transmissão acelerada

O primeiro país a relatar casos foi a própria África do Sul, e algumas das nações vizinhas, como Botswana e Hong Kong. Então, vieram notícias de pacientes contaminados com a variante em Israel e na Bélgica.

Na Europa, Reino Unido, Alemanha e Itália também tiveram infectados. No último domingo, 28, a cepa já havia chegado à América, com seu primeiro caso tendo sido identificado no Canadá. 

Até o momento da publicação desta matéria, por volta de 16 países espalhados por todos os cinco continentes já haviam reportado terem encontrado a ômicron circulando em sua população.

Um detalhe é que não se tem certeza se a mutação surgiu em território sul-africano ou apenas foi detectada lá após passar por outro lugar. Isso pois, conforme anunciado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública da Holanda e repercutido pela CNN, exames coletados entre os dias 19 e 23 de novembro foram declarados contaminados com a B.1.1.529.

Assim, a mutação pode estar circulando silenciosamente há mais tempo do que pensamos.

Já no nosso país, como citado anteriormente, duas pessoas testaram positivo para a variante. De acordo com a CNN Brasil, o casal havia voltado recentemente de uma viagem da África do Sul, e descobriu carregar o vírus ao realizar teste de covid necessário para embarcar em outro voo.

Fotografia do Aeroporto de Guarulhos aonde o casal chegou após sua viagem à África do Sul / Crédito: Wikimedia Commons

 

A dupla, que apresentou apenas um quadro leve da doença, foi orientada a ficar quarentenada em sua residência durante os próximos dias. 

Segundo Eduardo Medeiros, professor de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp, "apesar de ainda não haver respostas definitivas sobre o comportamento epidemiológico dessa nova variante, é possível que o impacto dela em uma população amplamente vacinada seja pequeno, pelo que se observa até o presente momento".

Medeiros também fala sobre o impacto da nova variante em pacientes. 

"Diversos estudos já estão sendo conduzidos de modo a observar se a resposta vacinal será afetada por esta variante. Contudo, as informações até o momento mostram que os pacientes com infecção por essa variante têm evoluído com quadros leves a moderados, o que revela uma boa notícia. Em países com alta taxa de vacinados para covid-19, os pacientes com doses completas da vacina, provavelmente, terão menor risco de adquirir a infecção e, se tiverem a doença, menor possibilidade de evolução para quadros graves, internações e mortes quando comparado aos indivíduos não vacinados", destaca Medeiros.

Incógnitas

Até então, não se sabe muito a respeito de que mudanças foram trazidas pelas mais de 50 mutações sofridas por essa cepa.

Uma das lacunas em aberto, por exemplo, é em relação à gravidade dos sintomas de quem é contaminado com a ômicron. A princípio, nenhuma morte foi conectada à variante, ao menos. 

Outro dado é que, em entrevista ao The Telegraph, jornal britânico, uma médica inglesa comentou que muitos dos pacientes que testaram positivo para a mutação eram jovens, saudáveis, e, em geral, possuíam casos brandos.

“Os sintomas que eles apresentavam eram muito diferentes e mais leves dos que eu havia tratado antes", afirmou a profissional Angelique Coetzee ao veículo.

A despeito dessas ocorrências, ainda não existem informações suficientes a respeito da ômicron para identificar se essas foram apenas coincidências, ou se a cepa de fato tem uma tendência a gerar quadros menos graves. 

Embora a mutação tenha causado um aumento abrupto nos casos de covid da África do Sul, também não temos confirmação científica de que a variante de fato possui o aspecto do contágio maior, uma vez que também é preciso levar em conta outros fatores, como a baixa porcentagem de pessoas vacinadas no país. 

Outra questão de grande importância que ainda não possui uma resposta é relativa à possibilidade da B.1.1.529 ser mais resistente aos imunizantes com os quais contamos atualmente. 

Fotografia meramente ilustrativa do coronavírus / Crédito: Divulgação/ Pixabay/ visuals3Dde

 

Uma mudança como essa poderia trazer implicações desastrosas, de forma que, mesmo ainda não havendo essa confirmação, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) já está se preparando para a possibilidade de precisar adaptar seus imunizantes à ômicron.  

Se houver necessidade de alterar as vacinas existentes, poderemos estar em posição de tê-las aprovadas dentro de três a quatro meses”, garantiu Emer Cooke, diretora do órgão.