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Matérias / Griselda Blanco

Veja os intensos relatos do filho de Griselda Blanco, a 'rainha da cocaína'

Único sobrevivente entre os quatro filhos da 'Rainha da Cocaína', Michael Corleone falou sobre a vida da traficante: "Minha mãe não era santa"

Fabio Previdelli

por Fabio Previdelli

fprevidelli_colab@caras.com.br

Publicado em 21/01/2024, às 11h00 - Atualizado em 05/02/2024, às 20h02

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Mugshot de Griselda Blanco - Departamento de Polícia de Metro Dade via Wikimedia Commons/Getty Images
Mugshot de Griselda Blanco - Departamento de Polícia de Metro Dade via Wikimedia Commons/Getty Images

Griselda Blanco foi uma das pioneiras na rota do tráfico de cocaína da Colômbia para os Estados Unidos. Com isso, criou um verdadeiro império das drogas, o que explica o apelido de 'rainha da cocaína'

Entre Miami e Los Angeles, Griselda governou um cartel que ficou conhecido pela crueldade e violência. Hoje, sua trajetória é retratada na nova minissérie da Netflix, 'Griselda'

+ Griselda Blanco: A 'rainha da cocaína' pioneira do narcotráfico colombiano

O fim dessa história, muitos já conhecem: após cumprir pena nos Estados Unidos, Blanco voltou para a Colômbia e, embora tentasse viver uma vida pacata, acabou executada enquanto deixava um açougue, em 2012. 

Mãe de quatro filhos, ela perdeu três deles na guerra do tráfico: Osvaldo, Dixon e Uber. Mas um deles, Michael Corleone Blanco sobreviveu e hoje tomou um caminho diferente daquele que pareceu fadado a trilhar. 

O herdeiro do tráfico

Único sobrevivente, Michael Corleone Blanco, atualmente com 45 anos, foi entrevistado pelo Sunday Mirror em 2020, quando revelou como foi crescer filho de uma chefe do crime tão notória. 

Minha mãe não era santa. Ela teve que sobreviver para fazer suas coisas. Mas no final das contas, ela era minha mãe. Para sempre irei honrá-la e respeitá-la. Eu amo ela", disse. 

Também conhecida como 'Viúva Negra', por participação nas mortes de seus maridos, Griselda Blanco nasceu em Cartagena em 15 de fevereiro de 1943, mas logo cedo se mudou para a favela Medellín. Por lá, anos depois, ela iniciou o trabalho dos cartéis, sendo considerada uma empreendedora implacável; além de acusada por ter ligações com cerca de 200 assassinatos. 

Michael Corleone Blanco ao aldo de Griselda/ Crédito: Arquivo Pessoal

"Ela tinha o pior temperamento que já vi. Ela ordenou a morte da mesma forma que outras pessoas pedem uma pizza", disse uma das pessoas que já trabalhou com Griselda

Diversas vítimas inocentes morreram enquanto a gangue de Griselda Blanco esteva ativa. Seu grupo foi responsável por frequentes tiroteios em Miami nas décadas de 1970 e 1980, inclusive um protagonizado em um shopping. Segundo o Mirror recorda, o escritório do legista teve que alugar um caminhão refrigerado para lidar com todos os corpos. 

Embora hoje tenha o estilo de vida de um 'pai suburbano', como ele mesmo descreve, Michael, que vive em Miami com seus três filhos, recorda que desde o dia em que nasceu esteve ligado ao crime. Afinal, sua mãe lhe 'presenteou' com o nome do meio Corleone, uma alusão ao personagem mafioso de Al Pacino em 'O Poderoso Chefão'

Na verdade, nunca tive uma infância", aponta. 

Quando menino, Corleone sobreviveu a sete tentativas de assassinato. Em uma ocasião, quase acabou sendo morto quando seu pai, Dario Sepúlveda, foi assassinado a mando de Griselda. Ele aponta que Sepúlveda pereceu em seus braços quando ele ainda era apenas uma criança. 

Com uma vida dividida entre Medellín, Flórida e a Califórnia, o garoto teve seus próprios guardas armados. Mas tudo começou a mudar quando ele tinha seis anos: ao ver sua mãe levada de sua casa em Irvine (LA) para a prisão. 

Em 1985, quando ela estava detida, Michael passou a ser cuidado por familiares e tutores escolhidos por Griselda. "Eu não tinha permissão para ser criança, tive que arriscar minha vida todos os dias que saía de casa por ser um Blanco".

Negócios

Desde o dia em que nasceu, Michael Corleone pareceu destinado a assumir os negócios da família; e assim aconteceu quando ele tinha 12 anos. "Disseram-me: 'você é um Blanco, é parte dessa nobreza'".

Então, quando você estiver dirigindo, certifique-se de ter pessoas em carros dirigindo ao seu redor, dirigindo atrás de você. E tenha a arma bem debaixo da coxa", recorda.

"Mas, para ser justo, havia um estilo de vida muito luxuoso acompanhando tudo isso. Nem tudo foi dor e sofrimento", salienta. 

Enquanto Griselda Blanco estava presa em uma cela em São Francisco, Michael era orientado de como devia cuidar dos negócios. Quando sua mãe foi solta e deportada para a Colômbia, em 2004, ele já estava tentado a largar aquela vida — algo que só passou a se concretizar quando Griselda foi assassinada. 

Após receber a ligação avisando sobre a morte da mãe, sua mente se dividiu em dois pensamentos: um buscava uma sangrenta vingança e outra tentava achar um meio para manter sua família em segurança. 

Era uma ligação que eu temia há anos", aponta. "Eu falei com ela às duas da manhã. Eles me disseram: 'Michael, estou de pé sobre o cadáver da sua mãe'". 

"Devo matar um monte de gente só por precaução?", se questionou. "Você liga para as pessoas que você sabe que com um telefonema matará qualquer pessoa que você mandar? Ou você diz: 'eu vou cortar todas as maldições geracionais agora e não vou passar essa merd* para meus filhos'?".

Quando recebeu a mensagem, Michael disse que estava ensinando seu filho mais novo a nadar. Ao se perguntar sobre todas as questões, decidiu: "Eu disse: 'Não vou deixar essas crianças viverem a vida que eu vivi'. Mas para sair dessa vida é preciso deixar certas pessoas saberem que não haverá nenhuma retaliação". 

Legado difícil

Apesar das décadas depois das mortes de Griselda Blanco e Pablo Escobar, o legado da 'rainha da cocaína' e de 'El Patrón' continuam vivo. Em 2019, a cocaína causou a morte de quase 15 mil pessoas apenas nos Estados Unidos — números assombrosamente maiores em relação a outros grandes centros, como a Europa, onde 708 pessoas morreram de overdose pelo uso da droga. 

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Peço desculpas às pessoas que foram afetadas pelas guerras da cocaína, pelas epidemias de crack, pelo genocídio que aconteceu na década de 1980", ressente Michael. "22 membros da minha família direta foram mortos. Então entendo quanto dói. Serei para sempre humilde e me desculparei por isso". 

Na época em que Griselda foi morta, Michael Corleone já tinha outro emprego: trabalhava como faxineiro, ganhando cerca de seis dólares por hora. Um dia, ele foi chamado para trabalhar em uma luxuosa cobertura de Miami, que um dia já havia pertencido a seu falecido irmão Osvaldo (também conhecido como Chicky). 

Griselda Blanco, a rainha da cocaína/ Crédito: Divulgação/Policía de Santa Ana

"Chicky foi morto quando tinha 26 anos. Aos 17 anos, ele valia pelo menos US$ 200 milhões e estava destinado a ser o próximo Pablo Escobar. É por isso que ele foi morto", explica.

Mas naquele momento, entrando em seu apartamento para limpar o chão, Deus estava me humilhando. Dizendo-me para seguir o caminho correto na vida. É isso que tenho tentado fazer desde então", finalizou.

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