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Robô, traje de mergulho e máquina voadora: as invenções revolucionárias de Leonardo da Vinci

Ao longo de sua vida, o artista projetou invenções das mais diversas áreas de conhecimento

Isabella Bisordi Publicado em 29/09/2020, às 18h20

Durante sua vida, Leonardo Da Vinci se aventurou em diversas áreas de conhecimento
Durante sua vida, Leonardo Da Vinci se aventurou em diversas áreas de conhecimento - Wikimedia Commons

Considerado um dos maiores símbolos renascentistas da história, o italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) marcou a Idade Média com suas pinturas inovadoras. No entanto, mais de 500 anos após a sua morte, sabemos que sua genialidade foi muito além de “Monalisa” e “Santa Ceia”. Dono de uma mente extremamente criativa e multitarefa, Da Vinci se aventurou em diversas áreas de conhecimento, como desenho, escultura, arquitetura, engenharia, ciência, música, matemática, química, física, aeronáutica, literatura, astronomia, botânica, geologia, história e cartografia.

Apesar de muitos dos seus materiais e estudos científicos terem se tornado conhecidos somente nos últimos 150 anos, Da Vinci sempre teve uma mente à frente do seu tempo, e inventou diversos dispositivos que desafiavam a tecnologia da época. Muitos deles foram considerados inviáveis, enquanto outros saíram do papel anos depois, revolucionando o mundo de alguma forma. Confira algumas de suas maiores invenções e estudos ao longo dos seus 67 anos de vida:

Luz e perspectiva

Da Vinci foi uma das primeiras pessoas que se tem registro a estudar a natureza da luz e das sombras, para entender como esse contraste poderia influenciar suas pinturas. Antes, era incomum que pintores usassem a luz para modelar e dar um efeito tridimensional nas obras, até que o artista mudou isso. Explorou a posição, a distância, o movimento e o repouso das coisas, entendendo como podia criar uma noção de perspectiva em suas obras.

Estudo de luz e sombras de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Robôs

Grande estudioso da anatomia humana e de máquinas, Da Vinci criou um robô humanóide no século XV para um concurso em Milão. Cheio de engrenagens e cabos, não se sabe ao certo o que o seu “cavaleiro robótico” fazia, mas de acordo com os desenhos do inventor, ele podia sentar, mover a cabeça e a mandíbula e até se levantar sozinho. Com a intenção de dar vida ao robô, já nos anos 90, o roboticista Mark Rosheim, em Minnesota, recriou a versão de Da Vinci, capaz de andar e acenar. A criação tornou-se uma inspiração para designs robóticos da NASA.

Robô criado com base em projeto de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Anatomia Humana

Leonardo tinha grande interesse em estudar a anatomia humana, e fazia isso dissecando cadáveres. Suas anotações da época incluíam diversas descrições do sistema circulatório, e seu trabalho permanece até hoje como referência para a medicina. Além disso, o artista fazia desenhos tridimensionais do esqueleto humano, com cortes anatômicos que só seriam possíveis anos depois, com tecnologias como a tomografia e a ressonância magnética.

Estudo sobre anatomia humana de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Tanque blindado

Enquanto trabalhava para o duque de Milão, Da Vinci foi a primeira pessoa a projetar um tanque blindado (que seria invencível em uma guerra). A máquina tinha 36 canhões e uma estrutura pontuda e convexa, com capacidade para oito homens. No entanto, seu desenho continha um erro: as engrenagens faziam com que as rodas dianteiras e traseiras se movessem em direções opostas. Mas por incrível que pareça, muitos historiadores acreditam que o erro não tenha sido cometido por engano, e sim que Da Vinci queria impedir que outras pessoas conseguissem montar o tanque adequadamente.

Tanque blindado criado com base em projeto de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Pontes e hidráulica

Ao estudar hidráulica, Leonardo conseguiu projetar máquinas que utilizassem sua força para trabalhar o movimento da água. Dentre seus projetos, estavam máquinas em Florença que desviavam o curso do Arno e inundavam Pisa; um dique móvel para proteger Veneza contra invasores; e uma ponte para atravessar uma enseada em Istambul. Na época, as criações não foram feitas por serem consideradas impossíveis. No entanto, em 2001, uma ponte baseada em seu projeto foi construída na Noruega, e pesquisadores concluíram que ela seria capaz de suportar seu próprio peso e se manter estável.

Projeto de ponte de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Paraquedas

Apesar da invenção do paraquedas ser atribuída ao francês Sébastien Lenormand, no século XVIII, Da Vinci já tinha pensado em seu conceito antes disso. Parecido com uma tenda gigante, seu projeto consistia em um pano de linho selado, mantido aberto por uma pirâmide de postes de madeira, cada um com 7 metros de comprimento. Na teoria, só seria útil para saltos curtos, embora Da Vinci tenha escrito que qualquer pessoa poderia saltar de qualquer altura. Nos anos 2000, o paraquedista Adrian Nicholas construiu e testou o design de Leonardo, saltando com sucesso de um balão de ar quente (e disse que achou o passeio ainda mais suave do que os paraquedas modernos).

Paraquedas criado a partir de projeto de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Traje de mergulho

Durante toda sua vida, Da Vinci desenhou alguns projetos para roupas de mergulho. O primeiro de todos foi criado, provavelmente, com o objetivo de permitir que os militares atacassem navios invasores em uma guerra, e conseguissem permanecer longos períodos de tempo embaixo d’água. O traje era de couro, e contava com um tubo preso na máscara facial (como um snorkel) que flutuava na superfície. O projeto não chegou a sair do papel na época, mas em 2003, o mergulhador Jacquie Cozens testou um traje baseado nesse projeto, e confirmou que funcionava bem em águas rasas.

Projeto de traje de mergulho de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Máquina voadora

Conhecida também como “Ornitóptero”, a máquina voadora de Da Vinci era inspirada no vôo de morcegos e de pássaros - mas não consistia apenas em um par de asas mecânicas. O piloto deveria se deitar no centro e, a partir de um conjunto de pedais e alavancas, faria ela girar manualmente até sair do solo. Uma vez no ar, as asas bateriam como as de um pássaro gigante. Infelizmente, na época, não existiam ferramentas que fizessem a máquina funcionar, e o projeto foi considerado fantasioso.

Projeto de máquina voadora de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Metralhadora

Considerada a primeira metralhadora (ou “órgão de 33 canos”), a invenção de Leonardo era bem diferente das metralhadoras de hoje em dia, que disparam múltiplos projéteis de um único cano. O projeto tinha três fileiras de onze mosquetes, presos em uma plataforma giratória, permitindo que a arma fosse disparada e carregada ao mesmo tempo, além de atirar com intervalos rápidos.

Projeto de metralhadora de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Carro automotor

O carro automotor de Da Vinci foi um feito impressionante. Ele era movido por molas em espiral, além de contar com sistemas de travagem e direção pré-programáveis. A máquina funcionava como um brinquedo de corda: girando as rodas para enrolar as molas internas e dar força. O veículo não tinha assento e, provavelmente, foi projetado apenas para ser usado como uma atração especial em festivais. No entanto, pode ser considerado um dos primeiros carros autônomos da história.

Carro criado a partir de projeto de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Projeto de helicóptero

Conhecido como “Parafuso Aéreo”, o projeto de Da Vinci era muito semelhante a um helicóptero. Medindo cerca de 15 pés de diâmetro, ele seria construído com linho, junco e arame. A forma de parafuso era porque o cientista acreditava que, se fosse girado muito rápido, uma espiral de ar se formaria embaixo dele, levando toda a sua estrutura para cima. Apesar do projeto, não há sinal de que Da Vinci realmente tenha tentado levar a construção adiante. Muitos cientistas modernos acreditam que o mecanismo não poderia ser transportado no ar apenas com o esforço humano - além de encontrarem um problema na reação de torque.

Projeto de helicóptero de Da Vinci - Wikimedia Commons

 

Cidade moderna

No século XV, a peste negra devastava toda a Europa. Quando estava vivendo em Milão, Da Vinci entendeu que a falta de saneamento básico nas cidades fazia com que elas ficassem muito sujas, o que facilitava a proliferação de doenças. Pensando em uma melhor qualidade de vida, desenhou uma cidade do zero, que chamou de “Cidade Ideal”. Ela era dividida em vários níveis, e contava com uma rede esgoto e com um sistema hidráulico que distribuía água pelas casas. Infelizmente, sua cidade não saiu do papel na época, mas foi um dos primeiros planejamentos urbanos que se tem registro.

Projeto de Cidade Ideal de Da Vinci - Wikimedia Commons


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