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Matérias / Brasil

Semana de Arte Moderna de 1922 aconteceu no Centenário da Independência

Em um ano crítico para o governo brasileiro, havia mais motivos para preocupação do que para celebração

Raphaela de Campos Mello Publicado em 13/02/2022, às 06h00

Theatro Municipal de São Paulo em registro da década de 1920 - Arquivo Nacional via Wikimedia Commons
Theatro Municipal de São Paulo em registro da década de 1920 - Arquivo Nacional via Wikimedia Commons

Realizada sob o mandato do presidente Epitácio Pessoa (1919-1922), durante a Primeira República (1889-1930), regida pela Constituição de 1891, a Semana de Arte Moderna de 1922 também abria o ciclo das festividades cívicas pelo Centenário da Independência.

Porém, aquele foi um ano crítico para o governo brasileiro em decorrência das disputas políticas e aos levantes militares. Havia mais motivos para preocupação do que para celebração.

Nas eleições presidenciais de março de 1922, algumas lideranças militares não reconheceram a derrota do candidato oposicionista Nilo Peçanha, apoiado pelas oligarquias de Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro.

Elas alegaram fraude e se recusaram a aceitar que o candidato eleito, Artur Bernardes, ligado às oligarquias paulista e mineira, tomasse posse em novembro. Era o início do movimento tenentista.

No começo de julho de 1922, outro conflito acrescentou mais instabilidade à Nação, dominada pela política do Café com Leite. Apoiador de Nilo Peçanha, o então presidente do Clube Militar, marechal Hermes da Fonseca, que havia governado o país entre 1910 e 1914, acabou sendo preso.

Em seguida, um levante militar tomou o Rio de Janeiro. A revolta foi logo debelada, mas um grupo de jovens oficiais do Exército enfrentou as forças legais em plena Praia de Copacabana. Apenas dois deles sobreviveram.

O ex-presidente brasileiro Epitácio Pessoa / Crédito: Governo do Brasil/Musso via Wikimedia Commons

O episódio ficou conhecido como Revolta dos 18 do Forte. O governo reagiu decretando estado de sítio, mantido até o final de 1922. Em estado de alerta máximo, Epitácio Pessoa recebeu, no dia 7 de setembro de 1922, os visitantes para a grande comemoração do ano: a Exposição Universal do Rio de Janeiro.

O esforço descomunal do governo para mostrar que, cem anos após a Independência de Portugal, o Brasil estava à altura do mundo tido como civilizado, contou com 15 pavilhões estrangeiros.

Na área nacional havia os palácios de festas, dos estados, da música, das diversões, da caça e pesca e muitos outros. O Brasil teve, no total, 6.013 expositores, representando todos os estados da federação.

Mais de 3 milhões de pessoas circularam pela exposição, encerrada em março de 1923. Mas, para que o evento adquirisse essa proporção, o Morro do Castelo precisou ser removido, o que resultou na expulsão de moradores pobres do centro do Rio de Janeiro.

Apesar da grandiosidade da Exposição Universal de 1922, ela não deixou sementes tão vigorosas como as plantadas pela incomparavelmente menor atração dos modernistas paulistas.

“A Semana simboliza um referencial a indicar mudança de mentalidade que iria, no decorrer daquela década, colocar em xeque o liberalismo excludente da República Velha”, analisa Marcia Camargos no livro "Semana de 22: Entre Vaias e Aplausos" (ed. Boitempo). 

Mário de Andrade situou o papel dos modernistas no panorama maior da realidade brasileira 20 anos depois de ter enfrentado, com seus colegas, a fúria conservadora e a incompreensão do público.

“O movimento de Inteligência, que representamos em sua fase 'modernista', não foi o gerador das mudanças político-sociais posteriores a ele no Brasil. Foi essencialmente um preparador, o criador de um estado de espírito revolucionário”, ele comentou na conferência intitulada "O Movimento Modernista", proferida, em 1942, na biblioteca do Ministério das Relações Exteriores, no Rio de Janeiro.


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