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Terror nacional: as mais tenebrosas lendas urbanas brasileiras

Não importa onde você esteja, toda cidade tem seus mitos funestos e alguém certamente conhece alguma história bizarra para contar

M. R. Terci Publicado em 12/07/2020, às 10h00

Imagem meramente ilustrativa de um cemitério assombrado
Imagem meramente ilustrativa de um cemitério assombrado - Divulgação/Pixabay

Muitas vezes, quando se fala em lendas urbanas, imaginamos cenas de filmes com aparições horripilantes, maníacos perversos e assassínios hediondos na noite escura.  

As lendas urbanas brasileiras, assim como as histórias de assombrações, estão intrinsicamente ligadas às tradições populares de nossos imigrantes e, comumente, se associam à um único bairro, de uma determinada cidade. Nesses lugares, algumas pessoas não podem nem ouvir falar desses causos de botar medo, afinal, os tais fenômenos se associam à mortalha escura do subconsciente. Mas não importa onde você esteja, toda cidade tem seus mitos funestos e alguém certamente conhece alguma história bizarra para contar.

E nós simplesmente adoramos celebrar a beleza e a estranheza de nossa gente brasileira. Venham comigo, pelos caminhos mais escuros da história, conferir uma lista exclusiva com as histórias lúgubres de nossas lendas urbanas.

Dona Yayá – São Paulo/SP

A casa de Dona Yayá / Crédito: Divulgação

 

Na capital paulista, existe um casarão localizada na rua Major Diogo, no bairro da Bela Vista que, no início dos anos 1920, já foi da abastada família Mello Freire. Após a morte dos familiares, a filha Sebastiana, conhecida como Dona Yayá, começou a apresentar sérios problemas mentais e era atendida por uma funcionária de confiança. Ela viveu reclusa por mais de quarenta anos até morrer, em 1961.

Algumas semanas após sua morte, quem passava pela rua, na madrugada, jurava ouvir os gritos de Dona Yayá. E quem por ali se aguentasse, diante dos gritos ensandecidos da assombração, podeira avistar a aparição na janela do casarão. Pior. Diz a lenda que quem não saí correndo e ousa olhar para trás, vê Dona Yayá prestes a estrangula-lo.

Bárbara dos Prazeres – Rio de Janeiro/RJ

Arco do Teles, localizado no Centro do Rio de Janeiro / Crédito: Wikimedia Commons

 

O Arco do Telles é datado de 1743, marco histórico que resta da antiga residência da família Telles de Menezes, localizado na Praça 15 de Novembro, no Centro da cidade. Dizem que o local é assombrado por uma bruxa. Bárbara dos Prazeres era uma imigrante portuguesa que teria nascido por volta de 1770 e morou num prédio próximo ao arco.

Conta-se que matou o marido para se enrabichar com um homem e que, algum tempo depois, o matou também, incendiando a casa onde viviam. Fugitiva da lei, tornou-se prostituta. Anos mais tarde, doente e muito velha, já não conseguia clientes. Segundo a crença popular ela teria sido responsável pelo desaparecimento de algumas crianças, após ter se envolvido com magia negra com o fito único de rejuvenescer.

Constantina – Curitiba/PR

Em novembro de 1877 teve início a imigração italiana no Paraná. Cerca de 162 colonos chegaram no porto de Paranaguá, transportados no navio Colombo diretamente da região do Veneto, norte da Itália. Entre seus passageiros estavam mãe e filha, que deixaram seus nomes verdadeiros e sua história no Velho Mundo, para buscar uma vida nova, tentando esquecer a perseguição que sofriam devido aos seus hábitos e crenças.

Com os novos nomes, dona Lola e sua jovem filha Constantina, escondiam um segredo. Elas eram descendentes de uma antiga linhagem de bruxas italianas. Haviam sido descobertas em Vastagna, sua cidade natal, e tiveram de fugir para não serem apedrejadas. Em Curitiba foram instaladas no bairro Santa Felicidade e trabalhavam na lavoura, mas a jovem Constantina não soube esquecer as velhas tradições arcanas e começou a praticar suas bruxarias para conquistar o amor de um jovem. Descoberta, tudo acabou em tragédia e morte. Dizem que Constantina passou a assombrar e atacar as pessoas que se aventuram pelos muitos bosques e parques da capital paranaense.

A mulher emparedada – Recife/PE

Imagem meramente ilustrativa / Crédito: Youtube

 

A Emparedada da Rua Nova é uma obra do escritor brasileiro Carneiro Vilela (1846-1913) e também uma lenda urbana recifense. O livro relata o caso de uma jovem burguesa, engravidada pelo namorado e que foi emparedada viva em seu próprio quarto, a mando de seu pai, o abastado comerciante Jaime Favais, para encobrir a vergonha familiar e preservar-lhe a honra. O crime teria sido cometido num sobrado na Rua Nova, onde hoje está localizado um prédio que, segundo o neto do escritor, tem o número 200. 

Os recifenses mais antigos acreditam que o romance foi realmente um crime que poderia ter acontecido. Há relatos de pessoas que passaram ao lado do casarão à noite, onde supostamente a moça foi emparedada. Elas dizem ter ouvido a voz de uma mulher pedindo socorro, barulho de cadeado sendo arrastado pelo chão e pisadas fortes no chão. Há quem diga que desmaiou nas cercanias da casa e acordou do lado de dentro da propriedade, junto à aziaga parede.

Tereza Bicuda – Jaraguá/GO

Tereza Bicuda, a mais famosa lenda jaraguense demonstra tudo aquilo que era abominado e fugia aos padrões éticos e morais da época em que viveu esta mulher. A lenda de Tereza Bicuda é uma viagem ao imaginário, uma mulher muito má que após muitos anos de tortura à sua própria mãe, morreu e recebeu seu eterno castigo de nunca mais encontrar a paz. Muitos acreditam que até hoje a alma dela vague nas madrugadas da cidade, procurando por incautos para atormentar e perseguir.

O túmulo de Maria Gilda – Santa Leopoldina/ES

O túmulo de Maria Gilda / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1923, por descuido de sua avó, uma criança de 5 meses morreu afogada dentro de uma bacia cheia de água. A tragédia teria ocorrido durante o banho em um dia em que os pais deixaram a pequena Maria Gilda na casa da avó. Os moradores de Santa Leopoldina mencionam que há mais de 90 anos, mesmo nos períodos de estiagem, inexplicavelmente, o túmulo da criança afogada se enche de água.

Os coveiros do cemitério já verificaram que cano algum, nem qualquer resquício de mina de água existe no local. Mas a comoção com o estranho fato é tanta que o povo começou a considera-lo milagre e, toda mês, caravanas visitam o túmulo de Maria Gilda.

O túmulo tele transportador – Descalvado/SP

E já que o assunto é túmulo, em minha cidade natal, Descalvado, no interior de São Paulo, existe um sepulcro ao pé de uma enorme figueira no Jardim Velho, uma das mais belas praças descalvadenses. Segundo o historiador Luiz Carlindo Arruda Kastein, a cidade inicialmente enterrou seus mortos ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Belém.

Nas terras do Jardim Novo estão sepultadas pessoas ilustres como o fundador José Ferreira da Silva, sua mulher Florência Maria de Jesus e muitos outros. Já os religiosos eram enterrados ao lado da Capela do Rosário que ficava no Jardim Velho. A lenda em torno desse túmulo, marcado por inscrições feitas na pedra portuguesa, é de que se a pessoa se aventurar a pisar nele, após a meia noite, inexplicavelmente, acorda no cemitério municipal, à cerca de 6 quilômetros dali. Meus bons, jamais tive coragem para tanto, mas os ébrios e boêmios de costume costumam use valer do tal túmulo como desculpa para um eventual atraso.


M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.


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