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Estupro no século 14: A história real por trás do filme 'O Último Duelo'

Estrelado por Jodie Comer, Adam Driver e Matt Damon, a trama se passa durante o reinado de Carlos VI

Victória Gearini | @victoriagearini Publicado em 23/10/2021, às 08h12

Cenas recortadas do filme 'O Último do Duelo' (2021)
Cenas recortadas do filme 'O Último do Duelo' (2021) - Divulgação / 20th Century Studios

No dia 14 de outubro, chegou aos cinemas o filme “O Último Duelo”, estrelado por Jodie Comer, Adam Driver, Matt Damon nos papéis principais. Produzida pela 20th Century Studios, a trama conta com direção de Ridley Scott e roteiro de Matt Damon, Ben Affleck e Nicole Holofcener.

Ambientada durante a Guerra dos Cem Anos, no século 14, a história central gira em torno da nobre Marguerite (Jodie Comer), casada com o cavaleiro Jean de Carrouges (Matt Damon). Regada de muito drama, vingança e traição, a produção retrata o episódio de estupro sofrido pela jovem.

O que talvez você não saiba é que na vida real, a nobre realmente foi abusada sexualmente, por Jacques Le Gris, no filme interpretado por Adam Driver. O mais novo lançamento cinematográfico foi baseado no livro de Eric Jager, que leva o mesmo nome da produção dirigida por Ridley Scott.

Personagens históricos 

Filho do nobre Sir Jean de Carrouges III e Nicole de Buchard, Jean de Carrouges foi um cavaleiro que lutou na Guerra dos Cem Anos, em nome da França e contra a Inglaterra. Seu melhor amigo era Jacques Le Gris, o herdeiro do escudeiro Guillaume Le Gris.

Cena do filme 'O Último do Duelo' (2021) / Crédito: Divulgação / 20th Century Studios

 

A dupla servia ao conde Robert d’Alençon, mas após a morte do conde, passaram a servir ao irmão dele, o conde Pierre d’Alençon. Contudo, a amizade ficou estremecida, quando o nobre passou a demonstrar maior interesse por Le Gris.

Carrouges, por sua vez, casou-se com Marguerite de Thibouville, filha única do nobre Robert de Thibouville. Contudo, o pai da jovem tinha a reputação manchada, pois havia sido acusado de traição ao rei. Mesmo com todas as desavenças da época, a bela garota casou-se com o cavaleiro, em 1380. 

O verídico episódio de estupro 

Em 1386, após uma viagem de negócios do marido, Marguerite ficou sozinha em casa, sem a presença dos criados e de sua sogra. Aproveitando a situação, Le Gris — que era apaixonado pela jovem — invadiu a sua casa e a estuprou.

Marguerite, interpretada por Jodie Comer / Crédito: Divulgação / 20th Century Studios

 

Em entrevista exclusiva ao site Aventuras na História, a historiadora Cristiane Coimbra conta que a filha de Thibouville decidiu contar o fatídico episódio ao marido, um homem bruto e violento. Todavia, Carrouges decidiu levar o caso a julgamento. 

Na época, estupro não era crime contra as mulheres, mas sim, contra a honra de seu marido, evidenciando a cultura patriarcal daquele período.

A vítima teve que enfrentar inúmeros constrangimentos, desde acusações que estava mentindo até o sentimento de injustiça. Segundo a historiadora, o fato dela ser filha de um traidor do rei agravou a sua situação. 

Por outro lado, Le Gris era um homem culto e letrado, que administrava as finanças de d’Alençon, sendo considerado o preferido do conde. Portanto, para a sociedade medieval, foi o suficiente para duvidar ainda mais da palavra da vítima.

“A Marguerite deu depoimento, mas não chegou a lugar nenhum. Ficou a palavra de um contra a palavra do outro. O Le Gris disse que não tinha estuprado, que era uma invenção dela e que não estava no momento do crime”, explicou a historiadora. 

O duelo

Conforme os documentos da época, o agressor recorreu a um advogado. Carrouges, por sua vez, levou o caso à corte do rei Carlos VI — também conhecido como o “Rei Louco”. 

Respectivamente: Jean de Carrouges (Matt Damon) e Jacques Le Gris (Adam Driver) / Crédito: Divulgação / 20th Century Studios

 

Seis meses depois, Marguerite apareceu grávida no julgamento. Vale ressaltar que naquele período era comum acreditarem que os prazeres sexuais femininos estavam atrelados ao fato de engravidar ou não. Logo, quando a nobre apareceu grávida de seu primeiro filho, a sociedade deduziu que ela não sentia prazer com o marido. Por outro lado, teria consentido a Le Gris.

Para provar quem estava falando a verdade ficou decidido que deveria acontecer um duelo. Isto é, um combate entre duas pessoas. No caso, quem sobrevivesse ao confronto, Deus mostraria a verdade.

“No caso deles, se o Carrouges vencesse a verdade estaria com a Marguerite. No entanto, se ele perdesse, ela estava mentindo e seria queimada viva”, disse Cristiane Coimbra.

O desfecho 

Ocorrido no campo de Saint-Martin, na França, este foi o último duelo publicamente autorizado pela corte. 

"O notório crime contra Marguerite, o inquérito por parte do Parlamento de Paris e o sensacional combate entre Jean de Carrouges e Jacques Le Gris no campo de Saint-Martin ficaram famosos na época e desfrutaram longa vida em histórias e lendas", escreveu Eric Jager no livro "O Último Duelo". 

Conforme as evidências históricas, Le Gris foi morto durante o combate final. Já Carrouges foi ovacionado pela multidão e ganhou fama e notoriedade. Contudo, em 1396, durante a Batalha de Nicópolis, foi morto.

Enquanto isso, Marguerite criou o filho sozinha, que herdou as propriedades do cavaleiro. A jovem, por sua vez, nunca mais se casou. 


+Assista ao trailer oficial do filme:


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