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Matérias / Segunda Guerra

Há 79 anos, Benito Mussolini era executado e exposto em praça pública

Líder fascista foi linchado pelo povo italiano e seu cadáver foi pendurado em um posto de gasolina

Redação Publicado em 28/04/2021, às 00h00 - Atualizado em 26/04/2024, às 12h01

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O líder fascista Benito Mussolini sendo saudado - Domínio Público via Wikimedia Commons
O líder fascista Benito Mussolini sendo saudado - Domínio Público via Wikimedia Commons

O ditador fascista Benito Mussolini foi um dos principais apoiadores de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Líder do Partido Nacional Fascista, Il Duce, como era chamado, foi executado sumariamente por membros da resistência antifascista italiana no vilarejo de Giulino di Mezzegra, no Norte do país, há exatos 79 anos, em 28 de abril de 1945. 

Mussolini, então primeiro-ministro da Itália, havia sido capturado um dia antes. Àquela altura, o Eixo sucumbia perante ao avanço dos Aliados. O fim da Guerra estava cada vez mais próximo. 

O líder fascista acabou sendo fuzilado ao lado de sua amante, Claretta Petacci. Seus corpos foram levados até Milão, onde foram expostos e pendurados de cabeça para baixo em uma viga de metal. 

Benito Mussolini ao lado de Adolf Hitler/ Crédito: Muzej Revolucije Narodnosti Jugoslavije via Wikimedia Commons

Durante horas, o povo italiano mostrou toda sua revolta contra o líder fascista, chutando, cuspindo e até mesmo urinando sobre o que foi um dos homens mais desprezíveis do século passado.

O ditador Mussolini

O ditador Benito Mussolini teve um fim infame que pode não ter chegado nem perto do terror de suas ações ao longo de sua trajetória no governo da Itália. Em 28 de abril de 1945, há exatos 79 anos, o italiano foi linchado pelo povo para o qual governou. Morto, seu cadáver foi exposto em praça pública.

O fim veio após tornar-se um fugitivo em seu próprio país, a partir do avanço das tropas Aliadas sobre a Itália desde 1943. Tentando escapar de seu final trágico, Il Duce foi resgatado pelo exército nazista enquanto estava preso e logo foi levado ao norte do país. Lá, criou a República de Salò, uma tentativa de resistência que falhou. 

O líder fascista Benito Mussolini/ Crédito: Wikimedia Commons

Mas não adiantou fugir: a situação na estava ficando cada vez mais favorável para os Aliados, em um continente tomado pelas forças dos EUA, França, Inglaterra, Canadá, Brasil, África do Sul e colônias norte-africanas. Para Mussolini, o contexto se tornou insustentável. 

Foi quando o ditador decidiu abandonar a Itália. Além dos exércitos que estavam contra ele, somava-se ainda o povo italiano, que se revoltou contra o antigo líder após a derrota e pela situação na qual se encontravam. O fascista estava cercado por opositores, que somavam inclusive aqueles que um dia o apoiaram.

A fuga de Benito

Para deixar a Itália, Mussolini se disfarçou para sair de Milão, partindo em um comboio de soldados alemães, ao lado da companheira Clara Petacci, em direção à fronteira com a Suíça. Mas a verdade é que ele não iria chegar muito longe. 

Mussolini e Clara fugiam para a Suíça quando foram capturados / Crédito: Wikimedia Commons

O comboio em que ele estava foi interceptado. Mussolini e Clara foram descobertos e presos por membros da resistência italiana (conhecidos como partigiani), em 27 de abril de 1945, próximo ao vilarejo de Dongo. 

A 52ª Brigada Garibaldina me capturou hoje, sexta-feira, 27 de abril, na praça de Dongo. O tratamento durante e depois da captura foi correto", Mussolini escreveu em seu último documento, um bilhete encontrado em maio de 2003.

Julgado sumariamente em praça pública, Il Duce foi fuzilado ao lado de Clara e dos homens que os escoltavam no dia seguinte, no vilarejo de Giulino di Mezzegra. Na madrugada do dia 29, seus corpos foram levados até Milão, onde permaneceram expostos ao público, amontoados em uma pilha, em um posto de gasolina da praça de Loreto.

Uma multidão chutou, baleou, cuspiu e urinou nos corpos, que depois foram pendurados de cabeça para baixo em uma viga de metal. Os cadáveres passaram por horas de humilhação e profanação, como resposta dada pela população italiana ao legado de perseguições, assassinatos, derrotas e caos econômico de Benito.

Quem matou Il Duce?

As circunstâncias da morte de Mussolini foram investigadas por um tribunal do júri de Pádua, em maio de 1957, mas o processo não chegou a uma conclusão. Até hoje, não se sabe quem de fato disparou os tiros.

Entre os italianos, a versão "oficial" é de que Walter Audisio executou Mussolini, obedecendo uma ordem do Comando Geral da resistência. Alguns historiadores italianos acreditam que Michele Moretti, outro membro, teria dado os tiros.

Mussolini em Milão, em 1930/ Crédito: Bundesarchiv via Wikimedia Commons

Outros, como Renzo De Felice, que escreveu a biografia de Mussolini, suspeitam de que a execução tenha sido tramada pelo serviço secreto britânico em conjunto com a resistência italiana.

Mas, até hoje, o fato é que a imagem do Duce pendurado morto, o povo gritando e xingando o velho Mussolini fazem parte do imaginário popular italiano e do acervo de imagens clássicas dos antifascistas.