Participante confinado em cabine no 'Solitários' - Divulgação / Vídeo / SBT
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Isolamento total: Solitários, o reality show de resistência cancelado do SBT

Com participantes confinados em cabines minúsculas, eles ficavam sem contato com a humanidade por prêmio em barras de ouro

Wallacy Ferrari Publicado em 25/03/2023, às 18h00 - Atualizado em 18/04/2023, às 16h11

Em 2009, o mercado de reality shows no Brasil já era bastante conhecido; o Big Brother Brasil, da TV Globo, havia se consolidado como um dos programas mais populares da televisão brasileira, com altos índices de audiência e grande repercussão na mídia.

Outros programas do gênero, como o 'Ídolos' (que buscava novos talentos musicais) e 'A Fazenda' (que colocava celebridades em uma fazenda para competir em tarefas diárias) também faziam sucesso. Em meio ao cenário, um formato estrangeiro se destacou aos olhos dos diretores do SBT por apresentar uma proposta radicalmente diferente dos demais programas do gênero.

Enquanto outros reality shows apostavam em conflitos interpessoais e na busca por fama e reconhecimento, um formato foi oferecido para a emissora paulista explorando a solidão e o isolamento como elementos de superação pessoal e física. Surgia assim a versão brasileira do reality show 'Solitários', sendo uma das primeiras produções do gênero a explorar o tema da solidão como elemento central.

Com um formato inovador e desafiador, o programa colocou 12 participantes em pequenas cabines individuais, com cerca de 6 metros de diâmetro como espaço útil, sem comunicação com o mundo exterior e sem a possibilidade de contato físico entre si.

O objetivo do programa era testar a resistência física e mental dos participantes, que tinham que lidar com tarefas diárias de sobrevivência determinadas por uma voz robótica, apelidada de VAL, uma referência ao computador que dá comandos no filme ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’. O último participante a desistir da competição seria o grande vencedor de um prêmio de R$ 50 mil, pago em barras de ouro, marca registrada do dono da emissora, Silvio Santos.

Atenção do público

Apesar do formato despertar a curiosidade do público e subir na audiência da emissora, ocupando o horário que era de Hebe Camargo, o programa também gerou polêmica por conta das condições extremas em que os participantes foram submetidos, chegando a ser denunciado no portal Quem Financia a Baixaria É Contra a Cidadania, da Câmara dos Deputados, como repercutiu o jornal O Tempo.

Os índices de audiência, segundo o NaTelinha, também não tiveram o retorno esperado, consolidando o programa no terceiro lugar, atrás da TV Globo e Record. Mesmo assim, se tornava assunto recorrente.

Participante, deitado em três correntes, se equilibrava para evitar eliminação / Crédito: Divulgação / Vídeo / SBT

 

Em algumas provas, participantes ficavam por horas em posições estáticas, senão quando equilibrados em algum objeto estreito, como uma corda, enquanto as pernas aguentassem. Em outro, tiveram de encarar um prato de comida sem poder comer, enfrentando horas de fome, até que algum dos participantes desistisse, culminando em sua eliminação.

Mesmo com as críticas adversas, teve duas temporadas. Tom Pacheco foi o vencedor da edição de 2009 e André Meyer campeão, no ano seguinte. A emissora não renovou o reality show em 2011. No entanto, o programa deixou um legado importante no mercado de reality shows no Brasil, abrindo caminho para outras produções que exploraram temas mais complexos e desafiadores.

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