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'Fantasma': 5 curiosidades sobre a cidade que queima há 60 anos

Relembre como a prefeitura de Centralia, na Pensilvânia, cometeu um erro fatal

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 17/04/2022, às 09h00

Fumaça na cidade de Centralia
Fumaça na cidade de Centralia - Domínio Público/ Jrmski

Quando as autoridades da prefeitura de Centralia decidiram colocar fogo no lixo de um aterro sanitário, eles não imaginavam estar cometendo um erro que levaria mais de 250 anos para ser corrigido. 

A cidade, que fica localizada no estado norte-americano da Pensilvânia, é hoje um conjunto de construções desabitadas onde o chão é quente demais e o ar é poluído por gases tóxicos.

Isso, pois no subsolo de Centralia, existe por volta de 15 quilômetros de túneis tomados por um incêndio que já dura décadas — e precisa de muitas mais para que possa finalmente se extinguir.

1. Fedor fatal

Era 27 de maio de 1962, e o fedor do lixo depositado no aterro sanitário de Centralia estava incomodando moradores, de acordo com uma matéria da History internacional de 2019. 

Para piorar, o dia seguinte era uma data comemorativa destinada à homenagem dos heróis de guerra mortos em combate na Segunda Guerra Mundial, e o cheiro ruim estragaria a atmosfera do evento. 

Assim, para resolver a situação desagradável, foi escolhida uma solução simples e aparentemente eficiente: o aterro deveria ser incendiado. 

2. A ponta do iceberg

O erro desastroso que viria a tornar Centralia uma cidade fantasma não ficou evidente logo de início.

No dia em que um incêndio de centenas de anos se iniciava, os responsáveis pela queima aguardaram uma quantidade satisfatória de lixo ser consumido, e depois bombeiros voluntários vieram para apagar as chamas, conforme repercutido pela Smithsonian Magazine. 

A operação parecia ter sido um sucesso, porém, sem que ninguém nem desconfiasse, abaixo de seus pés as chamas se espalhavam de forma descontrolada através de um labirinto de túneis.

3. Fantasmas do passado

Foi só dois dias mais tarde, em 29 de maio, que a situação deu seu primeiro sinal de ter sido subestimada. O tempo estava seco, de forma que o lixo visível na superfície voltou a pegar fogo por conta de todo o calor que estava sendo liberado pelo incêndio subterrâneo. 

A explicação para o acontecimento residia em decisões incompetentes feitas pelas autoridades da cidade norte-americana anos antes, quando eles criaram o aterro sanitário ignorando protocolos de segurança.

Isso, pois o buraco onde o lixo dos moradores de Centralia passou a ser despejado era uma mina de carvão desativada cujos túneis não haviam sido devidamente selados, e agora seus gases inflamáveis alimentavam as chamas. 

Outra atitude de negligência foi que o aterro não passou por nenhuma inspeção após sua criação, o que poderia ter detectado os erros iniciais, prevenindo que a situação se tornasse uma bola de neve. Ou um incêndio de 15 quilômetros de extensão. 

Aviso que existe hoje nos arredores de Centralia / Crédito: Domínio Público/ JohnDS

4. O buraco é mais fundo

Após inúmeras tentativas de apagar o fogo, o corpo de bombeiros finalmente encontrou o sistema de túneis da antiga mina de carvão, descobrindo então porque seus esforços haviam sido inúteis. 

Àquele ponto, assim como todo o período desde que a primeira faísca fora acendida, já não havia nada a ser feito para extinguir as chamas. 

A extensão do problema onde Centralia havia se enfiado apenas foi revelada, contudo, quando autoridades federais vieram visitar o local para avaliar uma ocorrência de gases que escapavam de fissuras no solo.

Era monóxido de carbono, resultado da queima de carvão acontecendo nos túneis subterrâneos, também segundo a Smithsonian Magazine. 

5. Consequências destrutivas

Centralia não se tornou uma cidade fantasma imediatamente. As pessoas viveram ali por décadas antes de o local ser considerado inabitável. Até esse ponto, o calor e gases tóxicos vindos do solo apenas aumentaram.

O chão cedeu em diversos lugares devido ao constante incêndio subterrâneo, e mais de 600 construções acabaram sendo demolidas, além de ter ocorrido o desabamento de uma avenida próxima à região. 

Aos poucos, a população do local foi sendo indenizada por conta de seus prejuízos materiais e de saúde, e se mudando para outras partes dos Estados Unidos.

Em 1992, trinta anos depois do início das chamas, restavam apenas sete moradores, e eles eram proibidos pelo governo de venderem ou passarem suas propriedades para algum parente. Conforme estimativas, ainda levará por volta de 250 anos para o incêndio se extinguir, segundo o Business Insider.