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Como fazíamos sem... bar?

As tavernas eram, literalmente, uma zona

Vitor Lima Publicado em 09/11/2018, às 14h00

As tavernas eram a solução
Wikimedia Commons

Antes de existirem bares, bebia-se em casa. Os antigos gregos tinham até um nome para isso: o symposion, festa particular realizada no andron, a sala dos homens. Simpósio hoje significa debate acadêmico porque filósofos como Sócrates, Platão e Xenofonte escreveram sobre profundas discussões filosóficas que aconteciam neles. Regadas a álcool, claro. O que terminava em porre.

Gregos e romanos bebiam em casa, mas estabelecimentos que vendiam produtos com graduação alcóolica já existiam antes deles. As tavernas são mencionadas no Código de Hammurabi, da Babilônia, de 1772 a.C., que previa a pena de morte para o dono de estabelecimento que misturasse água na cerveja. Mas apenas quem não se desse ao respeito iria querer ser visto próximo a esses antros. As tavernas surgiram como estalagens para viajantes, na qual a bebida era só um serviço agregado.

Com o tempo, passaram a atender os residentes locais, quase sempre de classe baixa, e oferecer também música, prostitutas, jogo de dados e brigas de galo. Eram ponto de encontro de marinheiros, criminosos e conspiradores. Desprezadas pela elite, a lei romana não distinguia entre taverna e prostíbulo. Com a queda de Roma, desapareceram junto com toda a vida urbana, retornando por volta do século 15. O mais antigo estabelecimento em operação é o Ye Olde Fighting Cocks, em St. Albans, Inglaterra, fundado em 1539.

Uma antiga taverna Wikimedia Commons

A palavra "bar" apareceu em inglês em 1590, originada da barra existente no balcão, que impedia os clientes de se debruçarem e importunarem o barman. O Brasil tem história própria. Existiam estalagens, mas o brasileiro era quase abstêmio até a chegada da família real portuguesa, em 1808, que trouxe para cá os costumes europeus. Os bares apareceram, já com o nome em inglês, para a clientela mais rica. 

O boteco, o bar popular, vem de bodega, venda, o que ainda é a atividade de estabelecimentos antigos no interior do país. A venda da esquina obviamente não oferecia prostitutas, e assim era mais fácil convencer a patroa a aceitar uma visita a um boteco do que a uma taverna. Aliás, até a revolução dos costumes na segunda metade do século 20, mulheres "de família" não frequentavam bares, botecos ou tavernas.