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Como fazíamos sem hotéis?

A vida dos viajantes não era nada confortável, segura ou higiênica antigamente

Lívia Lombardo Publicado em 07/02/2019, às 11h00 - Atualizado em 08/02/2019, às 16h31

Pintura de pessoas se hospedando em uma caverna, por Jan Steen, 1660
Domínio Público

As viagens são parte da rotina do homem desde as primeiras civilizações. Com rotas e motivos variados, uma necessidade, porém, foi sempre constante: um lugar para passar a noite depois de um longo dia de estrada. Inicialmente, os viajantes contavam apenas com a boa vontade dos moradores das regiões por onde passavam. Mas, com o desenvolvimento do comércio, o número de pessoas em trânsito aumentou e estalagens e tabernas foram surgindo. De reputação duvidosa, esses estabelecimentos também deixavam a desejar nos quesitos conforto e higiene. Dormir no feno, perto dos animais, era um modo de esquentar o corpo.

No Império Romano, hospedagens mais bem equipadas foram erguidas nas estradas e, mais de um milênio depois, algumas chegaram a ser classificadas pelo explorador Marco Polo como "dignas de um rei". Esses abrigos, no entanto, eram para poucos. Para dormir neles, era preciso mostrar um documento de autorização, que logo virou símbolo de status e alvo de roubos e falsificações. Com a queda do Império Romano, as viagens sem fins religiosos foram desencorajadas, e pousadas se instalaram perto de templos, administradas por padres e seus escravos.

Durante a Idade Média, as estalagens se multiplicaram, mas não na mesma proporção que o conforto. Os hóspedes normalmente dormiam em colchões no saguão, e o cardápio raramente oferecia opções além de pão, carne e cerveja. As exceções eram as pousadas construídas pela Igreja para os peregrinos, com comodidades típicas de hotéis cinco estrelas: barbeiros, sapateiros e frutas. Com a Revolução Industrial, hospedar pessoas virou um jeito de ganhar dinheiro, e o setor, aos poucos, foi se profissionalizando. Os primeiros hotéis com gerentes e recepcionistas são do início do século 19. No fim desse mesmo século, o suíço César Ritz inovou ao criar quartos com banheiro privativo.

No Brasil, com a chegada da família real, em 1808, pensões, hospedarias e tabernas passaram a se chamar de "hotéis" com a intenção de melhorar de nível. A hotelaria nacional, porém, só teria o seu marco 100 anos depois, com a inauguração dos 220 quartos do Hotel Avenida, no Rio de Janeiro.