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Os enigmas de Maria Madalena: Cortesã do povo ou uma mulher rica e influente?

A personagem mencionada na Bíblia como uma prostituta pode ter sido uma notória mulher da Galileia

Redação Publicado em 25/04/2020, às 10h00

Ilustração de Maria Madalena
Ilustração de Maria Madalena - Wikimedia Commons

Ao analisar os vestígios de Magdala, atualmente em Israel, a pesquisadora Jennifer Ristine descobriu novas informações que possibilitam traçar a personalidade social de Maria Madalena.

Na obra Mary Magdalene: Insights From Ancient Magdala, a pesquisadora tenta encontrar respostas para as indagações e refletir sobre o desenvolvimento que levou à imagem de prostituta que a Igreja Católica usa para taxar a personalidade.

Planta baixa da sinagoga de Magdala. / Créditos: Divulgação

 

Cruzando referências bíblicas e registros históricos, a pesquisadora tentou traçar um perfil de Maria no período em que vivia.

As pesquisas de prospecção, em que se descobre a região norte da malha de Migdal (Magdala), demonstraram que a cidade era, na época de Jesus, um importante e bem desenvolvido ponto para pescadores, ficando marcada por sua estrutura e riqueza. Foram encontrados vestígios de um porto, casas grandes, uma sinagoga do século 1, objetos caros de distinção social e uma representação do templo de Jerusalém em pedra.

Os dados encontrados no sítio nos possibilitam entender que trata-se de um lugar consideravelmente rico da região. Os moradores daquele recinto, partindo da forma de ocupação familiar do território no mundo próximo-oriental, seriam também membros ricos de uma elite regional.

A análise documental indica que Maria Madalena não só poderia ter sido uma mulher rica e influente, bem como originária de um povoado economicamente destacável e bem posicionado em termos de empoderamento: “Jesus [...] [junto a]  Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; [...] e muitas outras, que o assistiram com as suas posses”. (Lucas 8:1-3).

A ideia de que ela seria uma mulher de riquezas aparece em contramão à narrativa de que seria uma prostituta.

A noção de que Maria Madalena era uma prostituta aparece na Idade Média, com o papa Gregorio Magno. Segundo o pontífice, Maria Madalena seria o sincretismo de três diferentes Marias: uma Maria pecadora, que unge os pés do senhor, uma Maria de Magdala, que aparece com os sete demônios no livro de Lucas, e uma terceira Maria, irmã de Lazaro.

Essas três Marias são consideradas entidades completamente diferentes na mitologia ortodoxa. Na descrição à figura de Maria Madalena, união das três Marias que juntas marcam a personagem pelo recurso do pecado, Gregório é o primeiro a usar como descrição a ideia de prostituta.

Porém, essa noção não é exclusiva a Gregório Magno. Antes dele, no século 2, foi  inserida no Talmud (união dos três compilados de textos sagrados entre os judeus) a associação de Maria Madalena como a alcunha de Maria Megaddleda, termo que significa “que carrega cabelos trançados”. O título é usado para indicar mulheres de comportamento impróprio, de má reputação por ser adúltera ou prostituta.

Ilustração de Maria / Crédito: Divulgação

 

No entanto, ainda há muito que se pesquisar sobre essa polêmica figura. Hoje, conhecemos cerca de 15% da área ocupada de Magdala e todo esse estudo entra em choque com interesses religiosos e políticos ligados tanto à Igreja quanto a Israel, onde fica a cidade. Representações das personagens bíblicas sempre serão assuntos delicados de pesquisa.


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