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A bizarra saga das famílias que moram em Chernobyl

Após o pior acidente radioativo da História, cerca de mil pessoas retornaram ao local

Victória Gearini Publicado em 07/11/2019, às 17h01

Medição do nível de radiação em Chernobyl
Medição do nível de radiação em Chernobyl - Getty Images

Ocorrido em abril de 1986, a tragédia de Chernobyl foi um acidente nuclear catastrófico no reator nº 4 da Usina Nuclear de Chernobyl, ao norte da antiga Ucrânia Soviética. Embora a cidade tenha sido evacuada, como consequência dos altos níveis de radiação, centenas de famílias retornaram ao local e ainda moram por lá.

Apesar das autoridades ucranianas não permitirem, cerca de 150 pessoas vivem na zona de exclusão. As estimativas de vida na região chegam à média de 75 anos de idade. Em entrevista ao portal G1, em 2016, a moradora com até então 78 anos, Evgueni Markevitch explicou não existe um motivo específico que a fez voltar para o local.

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Reator 4 após o acidente nuclear / Crédito: Wikimedia Commons

"Na realidade não sei por que existem pessoas que desejam viver em Chernobyl. Qual é o seu objetivo? Seguem o que diz o coração? A nostalgia? Quem sabe? Mas eu só quero viver em Chernobyl".

Aos oito anos, Evgueni e sua família se mudaram para a cidade. "Isto nos salvou da fome, podíamos plantar e fazer a colheita dos nossos alimentos", relatou a moradora sobre o possível motivo pelo seu apego a Chernobyl.

A moradora relembra ainda que quando o reator número 4 explodiu em 26 de abril de 1986 ela estava trabalhando. "Era um sábado e logo depois do acidente não sabíamos nada sobre o que havia acontecido. Suspeitávamos de algo porque observamos os ônibus e veículos militares que seguiam para Pripyat".

Após de ter sido retirada da cidade, ela se passou por um marinheiro e também por um policial, com o intuito de retornar a zona de risco. Tempos mais tarde, conseguiu um emprego na área de vigilância de radiações da estação. Apesar de toda contaminação, nunca teve problemas de saúde.

Ainda é possível encontrar na região os chamados "samosely", pessoas que vivem em pequenas casas de campo. O grupo contém ao todo 158 membros, que se alimentam com o que conseguem cultivar em suas hortas, além de receberem mantimentos de funcionários da central nuclear e de alguns visitantes.

Essas pessoas nunca aceitaram terem sido retiradas de seus lares, portanto, mais de mil retornaram após a catástrofe. Apesar de não recomendarem, as autoridades acabaram aceitando a situação.

Em entrevista ao G1, Valentina Kujarenko, com 77 anos na época, afirmou lamentar não poder ver seus parentes com frequência, mas confessa que não se arrepende de ter voltado para casa.

"Dizem que os níveis de radiação são altos. Não sei. Talvez a radiação faça algo aos mais nove, aos que nunca viveram aqui. Mas nós, os velhos, o que teríamos a temer? Espero que um dia Chernobyl volte a viver", explicou G1.


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