Curiosidades » Antiguidade

Múmia do faraó Ramsés II ganhou passaporte para sair do Egito e viajar até Paris

Durante o curioso episódio, que ocorreu em 1974, o antigo faraó não foi poupado da burocracia

Joseane Pereira Publicado em 25/12/2019, às 08h00

Estátua do Faraó Ramsés II
Estátua do Faraó Ramsés II - Divulgação

Viajar para um país estrangeiro exige uma série de burocracias, entre elas a emissão de passaporte oficial e visto. E quando se trata de um chefe de Estado, ele pode ser recebido no país visitado com procissões e honras militares, demonstrando as boas vindas do governo local.

E não foi diferente com o rei Ramsés II, nascido em 1303 a.C., quando de sua viagem do Egito para a França em 1974. 

Ramsés II foi o terceiro faraó da 19ª dinastia egípcia, governando de 1279 a 1213 a.C., ou seja, durante 66 anos. O faraó sucedeu seu pai, Seti I, aos 24 anos, iniciando um dos governos mais prestigiosos da história egípcia nos aspectos cultural, econômico, administrativo e militar, fazendo campanha contra inimigos do Egito como os hititas na Anatólia e os núbios no sul do território. 

Além disso, Ramsés II construiu monumentos notáveis ​​que sobreviveram até hoje - entre os mais conhecidos estão o complexo de templos Abu Simbel e o templo funerário Ramesseum. Durante seu reinado, o Egito chegou a tamanho apogeu que ele ficou conhecido como Ramsés, o Grande, se sobrepondo a faraós anteriores e posteriores.

Múmia de Ramsés, o Grande / Crédito: Divulgação

 

 

Três mil anos depois, sua múmia foi encontrada no túmulo coletivo de Deir el-Bahari, em um estado de preservação tamanho que monumentos construídos com suas feições puderam ser confirmados. Em 1885 ele foi colocado para exposição no Museu Egípcio do Cairo, onde permanece até hoje.

Por que a múmia viajou para Paris?

Em 1974, egiptólogos do Museu do Cairo perceberam que a múmia estava se deteriorando pela presença de um fungo. O governo egípcio foi em busca de especialistas que pudessem reverter seu estado, e encontraram a resposta em um laboratório de radiação, só que localizado na França.

Na época, o Egito exigia um passaporte válido de todas as pessoas que saíssem do território - fossem elas vivas ou mortas. Para isso, foi necessário criar um passaporte para a múmia, que também forneceria a garantia de seu retorno ao país. O documento incluía sua data de nascimento (1303 a.C.) e sua ocupação "Rei (morto)", assim como uma charmosa fotografia. Se tivesse sido feito nos dias de hoje, o passaporte teria o seguinte formato:

Passaporte de Ramsés / Crédito: Divulgação

 

Em 1976, a múmia foi finalmente recebida no aeroporto de Paris, com as honrarias militares dignas de um rei. Na capital francesa, uma equipe composta por cento e dez cientistas foi responsável por tentar descobrir as razões pelas quais a múmia estava se degenerando, atribuída posteriormente à ação de um fungo, que foi destruído com irradiações de raios gama. As análises revelaram que o grande Ramessés também sofria de doenças dentárias e inflamação na estrutura óssea.

Na volta de sua viagem internacional, o faraó foi realocado ao Museu do Cairo, onde recebeu inspeção do presidente do país, Anwar Sadat, e sua esposa, que ficaram satisfeitos com o trabalho realizado no estrangeiro.


+Saiba mais sobre a trajetória do faraó através de importantes obras

Pharaoh Triumphant, The Life and Time of Ramesses II, Kenneth Kitchen, Aris & Philips, 1982

Link - https://amzn.to/2BGHHcs

Ramsés II, o Soberano dos Soberanos, Bernadette Menu, Gallimard, 1998 

Link - https://amzn.to/2BLiFc4

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.