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Pierre Clostermann: o brasileiro que se tornou o maior piloto da França na Segunda Guerra

Com 33 vitórias aos 23 anos, Clostermann fez história durante o conflito

Redação Publicado em 23/08/2020, às 09h00

Pierre Clostermann em foto oficial
Pierre Clostermann em foto oficial - Wikimedia Commons

Quando a aeronave aterrissou e o motor parou de girar, tudo ficou em silêncio. Não fosse pelo vento forte, a calma seria absoluta. Mas, afinal, o que era um pouco de vento e poeira diante de toda a agitação de uma guerra?

Pierre Clostermann desceu da aeronave e pisou os pés em terra, sua terra. Nem a quantidade de poeira levantada, que, como ele mesmo viria a comentar, deixara seu melhor uniforme com a “aparência de um saco de farinha furado”, poderia estragar aquele momento.

Era uma ocasião especial: 11 de junho de 1944, Dia D mais cinco, e ele acabara de se tornar, junto de seus colegas de esquadrão, o primeiro piloto da França Livre a pousar em sua pátria depois de quatro longos anos de ocupação alemã.

O jovem Pierre Clostermann, então apenas com 23 anos, fazia história. Único
filho de um casal francês, Pierre nascera no Brasil em 1921. Seu pai, diplomata, encontrava-se em serviço no país. A despeito de ter retornado à França com apenas 1 ano, regularmente a família passava férias no Brasil.

Clostermann /Crédito: Divulgação

 

Estudou em Paris e aos 16 anos de idade se mudou para o Rio de Janeiro, onde continuou seus estudos no Liceu Franco-Brasileiro. Nas horas vagas, frequentava o Aeroclube, onde aprendeu a voar com o instrutor alemão Karl Benitz – que viria a ser morto em combate pela Luftwaffe em 1943.

Em 1938, Pierre partiu para os EUA para estudar engenharia aeronáutica, em Los Angeles. Apesar dos movimentos na Europa, uma guerra ainda parecia distante. Todavia, dois anos mais tarde, com a queda da França em junho de 1940, e depois de uma conversa com seu pai, decidiu se juntar às Forças Livres do general De Gaulle.

Conseguiu chegar à Inglaterra e, em 1942, foi incorporado às tropas francesas que lutavam na Força Aérea Real. Inicialmente incorporado como sargento piloto, foi rapidamente promovido a oficial. Seus superiores e colegas ficaram impressionados quando, em sua primeira incursão de combate, abateu dois aviões inimigos.

Dali em diante os sucessos não pararam. Clostermann se destacou em inúmeros outros combates aéreos, e também em missões de apoio. No Dia D, fez incursões à costa francesa com o objetivo de escoltar as aeronaves de transporte de tropas e garantir a supremacia aliada nos céus.

Por sua atuação na Normandia, recebeu a Cruz de Voo Distinto do Reino Unido e foi novamente promovido. Porém, a guerra não acabara. Voaria ainda em diversas missões, inclusive de interceptação dos infames foguetes V-1 e V-2.

Conforme as Forças Aliadas faziam os alemães recuarem, seguia avançando, mas, por temerem que um herói fosse abatido, seus superiores o realocaram para funções burocráticas no Quartel-General. Em dezembro de 1944, entretanto, voltou para o front.

Nada, nem o ferimento que sofreu na perna durante um embate aéreo em março de 1945, o fez parar. Como um verdadeiro piloto, dizia que o céu era seu lugar. Quando a guerra acabou,

Pierre colecionava mais de 20 vitórias aéreas – alguns creditam até 33 vitórias – e o incrível número de 432 missões de combate, o que torna este brasileiro o maior Ás da
França na Segunda Guerra Mundial.


Ricardo Lobato é Sociólogo e Mestre em economia pela UNB, Oficial da Reserva do Exército brasileiro e Consultor-chefe de Política e estratégia da Equibrium – Consultoria, Assessoria e Pesquisa.


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