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Por que camisas masculinas têm o botão na direita e femininas, na esquerda?

Convenção aparentemente sem sentido surgiu só no século 19; o porquê é a parte complicada

Redação Publicado em 08/08/2019, às 09h00

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- Botões à beça; eles já foram só decoração / Crédito: Wikimedia Commons

É provável que você nunca sequer tenha percebido isso: camisas masculinas vêm com botões presos na parte direita e as casas ficam na esquerda; as femininas são o oposto. Não faz o menor sentido: a maioria das pessoas é destra, não importa o gênero. 

Não existia essa diferença quando o botão foi inventado — ou melhor, a casa foi inventada. Botões surgiram há quase 5 mil anos, na Civilização do Vale Indo, assim como na China e Roma antigas. Mas não tinham a função de fechar roupas. Serviam como decoração e eram bastante caros. Tanto que, na Idade Média, alguns países europeus adotaram leis sumptuárias, que limitavam o uso dos botões, considerados ostentação excessiva. 

Foi apenas no século 13 que botões ganharam função prática, quando as casas foram inventadas na Alemanha. E é a partir daqui que a coisa se complica. Sabe-se que, desde então, as roupas masculinas tinham o botão na direita.

Uma das teorias é que isso vinha da forma como as armaduras eram fechadas, da direita para a esquerda, de forma que não houvesse pontos fracos na direita — já que, na esquerda, havia o escudo. Outra é que os homens precisavam ser capazes de abrir um casaco com a mão esquerda para pegar a espada na cintura, com sua mão direita. 

Você pode ver que o padrão é secular por Napoleão Bonaparte: ele não seria capaz de enfiar a mão direita na camisa se os botões não ficassem na direita. O padrão valia para ambos os gêneros até essa época, e uma das teorias por que mudou é justamente a mão de Napoleão.

Queriam evitar que as mulheres assumissem essa pose tão máscula e pomposa de enfiar a mão na camisa, imitando o imperador. Outra afirma que a configuração ajuda a liberar a camisa para amamentar, segurando o bebê no braço esquerdo.

Ainda há a de que, como as mulheres cavalgavam de lado, viradas para a direita, isso evitava tomar vento no peito. E, por fim, tida como mais provável, uma teoria diz que a mudança surgiu na aristocracia e alta burguesia, em que as mulheres eram vestidas por serviçais — a configuração ajuda a outra pessoa a abotoar. Tornou-se, assim, um símbolo de status, e as roupas de mulheres das classes menos abastadas seguiram o exemplo. 

Pode soar um sexismo arcaico, mas a convenção ainda é bastante cômoda para fabricantes, comerciantes e lavanderias, que não confundem roupas femininas com masculinas. E também não gera inconveniência para quem já se acostumou a se vestir de um jeito ou de outro — e nem sabe da diferença até alguém como a gente lembrar.